“What About the Women?” — pergunta de Djamila Ribeiro sobre caso Master inspira nome de plataforma internacional de luta pela vida das mulheres
Encerrando a programação da Semana da Mulher, a pergunta que deu título a uma série de textos da coluna de Djamila Ribeiro em referência ao caso do Banco Master — “Polícia Federal: e as mulheres?” — ultrapassou o debate nacional e ganhou dimensão internacional. A expressão inspirou o manifesto apresentado ao final da conferência Women Unite!, realizada em Amsterdam no dia 8 de março, e foi incorporada pela prefeita da cidade, Femke Halsema, como eixo de uma nova plataforma transnacional de mobilização pelos direitos das mulheres.
O encontro, realizado no Royal Theatre Carré, reuniu intelectuais, jornalistas e defensoras de direitos humanos de diversos países para discutir os desafios contemporâneos enfrentados pelas mulheres. Convidada do evento, Djamila Ribeiro participou do painel dedicado ao tema “Guerra às mulheres”, no qual abordou a situação brasileira, denunciando o crescimento do feminicídio, a persistência do casamento infantil e a ausência de investigação sobre mulheres europeias levadas ao Brasil para participar de festas com figuras políticas.
Durante o evento, a filósofa brasileira também entregou um relatório detalhado sobre o caso à advogada ucraniana Oleksandra Matviichuk, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2022. O documento foi igualmente compartilhado com jornalistas e autoridades presentes de diferentes países, ampliando a repercussão internacional do caso:
“A advogada fará a ponte com organizações feministas ucranianas que trabalham denunciando o tráfico internacional de mulheres. O relatório também foi entregue para autoridades e jornalistas holandesas, do Suriname e Nigéria”, ressaltou Djamila em suas redes sociais.

A força política da denúncia levou a pergunta formulada na coluna publicada no Brasil a se tornar o eixo simbólico do manifesto final da conferência. Apresentado pela prefeita de Amsterdam, o documento adotou a formulação em inglês — “What about the women?” — como chamado internacional para exigir investigação, responsabilização e proteção às mulheres vítimas de violência e exploração.
A pergunta dará nome a uma plataforma transnacional de mobilização, reunindo organizações feministas, juristas e defensoras de direitos humanos de diferentes países. A ideia é simples e direta: diante de denúncias envolvendo violência, exploração sexual ou tráfico internacional, esse é o questionamento fundamental que deve sempre permanecer no centro do debate público — “E as mulheres?
Para Djamila Ribeiro, a repercussão do tema demonstra como experiências locais podem gerar respostas coletivas em escala global.
“Nós, mulheres de várias partes do mundo, reconhecemos nossas diferenças, mas entendemos a importância da condição que compartilhamos. Seguiremos lutando pelos nossos direitos e fazendo a pergunta fundamental: e as mulheres? What about the women?”, reforçou.
Com a adoção do lema no manifesto final da conferência, a pergunta lançada no debate brasileiro passa agora a circular em redes internacionais de ativismo, transformando uma denúncia específica em um novo ponto de convergência global na defesa da vida e da dignidade das mulheres.
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