BIOGRAFIA
Djamila Ribeiro é filósofa, escritora e professora. Graduada em Filosofia e mestra em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), é coordenadora do Feminismos Plurais, iniciativa que compreende o Espaço Feminismos Plurais – instituto voltado ao atendimento e à formação de mulheres em situação de vulnerabilidade social em São Paulo – e a Coleção Feminismos Plurais, dedicada à publicação de autoras e autores negros no Brasil e no exterior.
É autora de Lugar de Fala (Feminismos Plurais / Editora Record), Quem Tem Medo do Feminismo Negro?, Pequeno Manual Antirracista e Cartas para Minha Avó (Companhia das Letras), além de Diálogos Transatlânticos (Éditions Anacaona) e Travessias (Editorial Caminho), com obras traduzidas para diversos idiomas.
Professora convidada da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da New York University (NYU), ministrou conferências e aulas magnas em universidades de diferentes países. Atualmente, integra o programa Dr. Martin Luther King Jr. para professores convidados no Massachusetts Institute of Technology (MIT), sendo a primeira pessoa brasileira da história a ocupar essa cadeira.
Desde 2022, ocupa a cadeira nº 28 da Academia Paulista de Letras, sucedendo Lygia Fagundes Telles, e atua como conselheira da Fundação Padre Anchieta, da Pinacoteca de São Paulo e do Fundo Patrimonial da USP. É colunista do jornal Folha de S.Paulo.
Em 2016, foi secretária-adjunta de Direitos Humanos da cidade de São Paulo. Em 2019, foi laureada com o Prêmio Prince Claus, concedido pelo Reino dos Países Baixos, e escolhida pela BBC como uma das 100 mulheres mais influentes do mundo. Em 2020, recebeu o Prêmio Jabuti, na categoria Ciências Humanas, por Pequeno Manual Antirracista.
Em 2023, foi a primeira civil brasileira convidada a discursar na Assembleia Geral da ONU no Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas e recebeu, no mesmo ano, o Prêmio Franco-Alemão de Direitos Humanos.
MEMORIAL PROFISSIONAL — DJAMILA RIBEIRO

Crédito: Ricardo Barcellos
Introdução
A trajetória intelectual e pública de Djamila Ribeiro tem raízes profundas em experiências formativas que articulam pensamento crítico, consciência política, ação coletiva e vida cultural. Filha do estivador sindicalista Joaquim Ribeiro dos Santos e da trabalhadora doméstica Erani Ribeiro dos Santos, é a caçula de quatro filhos e cresceu em um ambiente marcado tanto pelo compromisso político quanto pelo cuidado cotidiano.
Foi com o pai que aprendeu a jogar xadrez e, sobretudo, a compreender a importância da educação, da leitura e da formação da consciência política como ferramentas de transformação social. Da mãe recebeu o amparo que sustentou toda a vida doméstica da família e, ainda na infância, aos oito anos de idade, foi iniciada no candomblé, experiência que se tornaria central em sua formação ética, espiritual e intelectual.
Djamila formou-se no Colégio Moderno dos Estivadores e, desde cedo, frequentou cursos de língua inglesa, ampliando seu acesso a repertórios culturais e intelectuais que mais tarde atravessariam sua produção acadêmica e ensaística.
Ainda jovem, em Santos (SP), Djamila teve contato decisivo com autoras negras e com a tradição do feminismo negro brasileiro ao frequentar, a partir de 1999, a Casa de Cultura da Mulher Negra de Santos – espaço histórico de organização política, produção de conhecimento e formação cultural, então sob a liderança da poeta e ativista Dona Alzira Rufino.
Nos anos 2000, Djamila atuou como professora na rede de cursinhos populares da Educafro, acompanhando a formação de jovens de periferia da Baixada Santista e aprofundando sua atuação na educação popular. Em 2008, aos 27 anos, ingressou no curso de graduação em Filosofia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), dando início a uma trajetória acadêmica que, desde o princípio, dialoga de forma orgânica com sua experiência militante, pedagógica e intelectual, sempre orientada pela democratização do acesso ao saber.
Djamila concluiu a graduação e, em 2015, obteve o título de Mestra em Filosofia Política. No ano seguinte, em 2016, assumiu o cargo de secretária-adjunta de Direitos Humanos da cidade de São Paulo, função que exerceu até o final daquela gestão, participando da formulação e execução de políticas públicas voltadas à promoção de direitos e à redução de desigualdades.
Em novembro de 2017, lançou em São Paulo e no Rio de Janeiro o livro O que é Lugar de Fala? – obra que posteriormente passaria a se chamar Lugar de Fala. Os eventos de lançamento reuniram milhares de pessoas já nas primeiras apresentações. No Rio de Janeiro, mais de três mil pessoas estiveram presentes e a rua Moraes e Vale precisou ser fechada, tamanho o público. Em Minas Gerais, durante a terceira apresentação do livro, realizada no Sesc Palladium, em Belo Horizonte, Djamila bateu o recorde de público do auditório – até hoje inalcançado.
A partir desse marco, o presente memorial passa a detalhar a consolidação de sua trajetória como intelectual pública, autora, professora, editora e formuladora de projetos culturais, educacionais e institucionais de alcance nacional e internacional.

Livros publicados
Lugar de Fala foi lançado em novembro de 2017 e rapidamente se consolidou como um marco editorial. A obra figurou entre as mais vendidas do país e alcançou a segunda posição entre os livros mais vendidos da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) em 2018, feito histórico para um selo editorial independente. Em 2019, voltou à lista de mais vendidos da FLIP, desta vez na nona posição, consolidando uma presença consecutiva inédita para obras críticas e populares. Lugar de Fala foi publicado pela editora Letramento (2017-2019), Jandaíra (2019-2025) e atualmente está na editora Record.
Djamila fez eventos em todas as regiões do Brasil, levando casa cheia em todas as cidades pelas quais passou, prestigiada por diferentes públicos e gerações. Um feito por si só, mas ainda mais simbólico quando fez sendo uma autora de não-ficção e por editora independente, o que a tornou, logo no livro do estreia, uma autora incontornável da história do mercado editorial brasileiro.
Pela Companhia das Letras, Djamila é autora de três livros. O primeiro, Quem Tem Medo do Feminismo Negro? (2018) reúne textos publicados ao longo dos anos em sua coluna na CartaCapital e tornou-se presença recorrente em listas de mais vendidos, além de integrar materiais pedagógicos do ensino fundamental e médio em diferentes redes de ensino.
Em novembro de 2019, lançou Pequeno Manual Antirracista, obra de maior repercussão de sua trajetória editorial. O livro foi o mais vendido do Brasil em 2020 e permaneceu por mais de 100 semanas consecutivas na lista de mais vendidos da Revista Veja. Em 11 capítulos, propõe consciência e ação antirracista em múltiplos âmbitos da vida social, além de apresentar um glossário dedicado a autoras e autores negros.
Publicado em 2021, Cartas para Minha Avó é o terceiro livro de Djamila pela Companhia, em que apresenta uma obra memorialística em forma de cartas dirigidas à avó Antônia. A obra revisita infância, adolescência e desafios da vida adulta e, desde o lançamento, integrou listas de mais vendidos, ampliando o alcance afetivo e literário de sua produção. Em 2024, a obra foi editada por Zeferino Coelho, editor do grupo LeYa, e publicada na Editorial Caminho, alcançando grande público em Portugal.
Diálogos Transatlânticos é seu quinto livro e reúne conversas entre Djamila Ribeiro e Nadia Yala Kisukidi, professora da Universidade Paris 8. Publicado em 2020, está disponível exclusivamente na França, em francês, pela Éditions Anacaona. No Brasil, os direitos pertencem à Editora Bazar do Tempo, que produziu, junto com Paula Anacaona, os encontros entre as autoras.
Seu sexto e mais recente livro, Travessias, foi publicado em Portugal pela Editorial Caminho (Grupo LeYa). A obra reúne uma seleção de colunas escritas por Djamila para o jornal Folha de S.Paulo, publicadas entre 2019 e 2020, período de intensos debates políticos, sociais e culturais no Brasil. O volume inclui uma introdução inédita escrita especialmente para o público português, estabelecendo pontes entre experiências brasileiras e desafios contemporâneos das democracias no espaço lusófono.

Crédito: Ricardo BarcellosImpacto e circulação da obra
Um dos momentos mais emblemáticos de sua trajetória institucional ocorreu em 1º de setembro de 2022, quando tomou posse da cadeira nº 28 da Academia Paulista de Letras, sucedendo a escritora Lygia Fagundes Telles. A cerimônia, realizada no Largo do Arouche, reuniu público diverso e contou com a presença da comunidade de terreiro da autora, que conduziu ritos com toques de atabaque. A fala de recepção foi proferida pelo escritor Leandro Karnal. Com a posse, Djamila tornou-se a segunda mulher negra da história a ocupar uma cadeira na instituição, seguindo os passos de Ruth Guimarães, além de ser a mais jovem entre os membros contemporâneos da Academia.
Seus livros são adotados em inúmeras bibliografias de cursos de graduação e pós-graduação no Brasil. Um levantamento bibliométrico conduzido por Brenno Tardelli e Brenda Vieira, com o objetivo de mensurar o impacto acadêmico de Lugar de Fala, identificou mais de mil referências à obra em dissertações de mestrado e teses de doutorado produzidas no país.
Além da circulação acadêmica, suas obras são trabalhadas em salas de aula, materiais pedagógicos, escolas de idiomas e processos seletivos, figurando em vestibulares de instituições como a USP e Unicamp, além de integrarem a bibliografia obrigatória de Filosofia da Universidade Federal do Paraná. Sua trajetória e pensamento são objeto de trabalhos estudantil todos os dias nas mais diversas regiões do país, sendo referência para gerações.
O alcance popular também se manifesta em feiras e eventos literários por todo o país, com filas de milhares de pessoas para sessões de autógrafos em cidades como Salvador, Belém, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Teresina, Rio Branco, Curitiba, Natal, Bonito, Ribeirão Preto, Bauru e Palmas, entre muitas outras. Em cada cidade, Djamila mobiliza as mídias e autoridades locais, que prestigiam seus eventos.
Na sua cidade natal, Djamila está no rol de notáveis santistas realizado pela prefeitura municipal. Em 2023, recebeu a mais alta honraria da cidade, a medalha Brás Cubas.
Em 2024, foi autora homenageada da FLISOL (Festa Literária da Morada do Sol), em Araraquara, com curadoria de Ignácio de Loyola Brandão. Em 2025, foi autora homenageada da Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto, ocasião em que se tornou também Cidadã Ribeirão-pretana. Além disso, foi a autora estudada pelo projeto “Combinando Palavras”, no qual alunos de escolas ribeirão-pretanas fizeram apresentações baseadas em suas obras. Mais de dois mil estudantes da região participaram do projeto.
Para além dos livros de sua autoria, Djamila também se destaca por prefácios que marcaram a circulação de obras fundamentais no Brasil. Entre eles, o prefácio de Mulheres, Raça e Classe, de Angela Davis – cuja tradução e publicação no Brasil foram viabilizadas após contato direto feito por Djamila em 2015, resultando na edição lançada em 2016. Assinou ainda prefácios de grande relevância, como o catálogo da exposição de Grada Kilomba na Pinacoteca de São Paulo, dedicado à releitura anticolonial dos mitos gregos.
Djamila assina o prefácio de Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola, de Maya Angelou (edição que traz também prefácio de Oprah Winfrey), e o prefácio de O Olho Mais Azul, de Toni Morrison, convite decorrente de sua curadoria no clube de leitura da TAG Livros.
Ao longo dos anos, participou de encontros internacionais com intelectuais e lideranças como Alice Walker, Chimamanda Ngozi Adichie, Patricia Hill Collins, Ibram X. Kendi, Achille Mbembe, Ruby Bridges, Kalaf Epalanga, Saidiya Hartman, Ruth Wilson Gilmore, entre outros e outras. Em 2022, no Salão Carioca do Livro, mediou a palestra de Chimamanda Ngozi Adichie em um Maracanãzinho lotado, com ingressos esgotados em poucos minutos – encontro que simboliza a dimensão pública, afetiva e transnacional de sua atuação intelectual. Em 2024, Chimamanda assinou o prefácio de Where We Stand, edição em língua inglesa da obra Lugar de Fala publicada pela Yale University Press.

Djamila Ribeiro e a Coleção Feminismos Plurais
Como coordenadora da Coleção Feminismos Plurais, Djamila Ribeiro protagonizou, ao longo dos últimos anos, uma das transformações mais relevantes do mercado editorial brasileiro contemporâneo. Ao publicar obras de não ficção escritas por pessoas negras, voltadas a temas críticos como racismo, feminismo, democracia e produção de conhecimento, em linguagem acessível, formato didático e preço popular, a coleção rompeu barreiras históricas de acesso à leitura e ao debate público. Distribuídos em lançamentos culturais, escolas, universidades e eventos comunitários, os livros – pequenos no formato, mas centrais no impacto – tornaram-se um fenômeno de circulação, com centenas de milhares de exemplares vendidos, projetando autoras, autores e ideias brasileiro para além das fronteiras nacionais.
Entre 2019 e 2025, a Coleção Feminismos Plurais foi resultado da parceria entre Djamila Ribeiro e a Editora Jandaíra, presidida pela editora Lizandra Magon. Nesse período, foram 14 títulos publicados, dos quais seis reedições e oito obras inéditas. Integram essa fase da coleção: Lugar de Fala (Djamila Ribeiro); Encarceramento em Massa (Juliana Borges); Empoderamento (Joice Berth); Racismo Estrutural (Silvio Almeida); Interseccionalidade (Carla Akotirene); Racismo Recreativo (Adilson Moreira); Apropriação Cultural (Rodney William); Intolerância Religiosa (Sidnei Barreto); Colorismo (Alessandra Devulsky); Transfeminismo (Letícia Nascimento); Trabalho Doméstico (Juliana Teixeira); Discurso de Ódio nas Redes Sociais (Luiz Valério Trindade); Cotas Raciais (Lívia Sant’Anna Vaz); e Lesbiandade (Deise Fatumma).
A coleção consolidou-se como agente central de democratização do acesso ao pensamento crítico no Brasil e reposicionou o eixo de legitimação intelectual do mercado editorial, abrindo caminhos para que outras vozes negras passassem a ser publicadas, lidas e reconhecidas em escala nacional. Em 2026, a Coleção Feminismos Plurais e Lugar de Fala passam a ser publicados pelo Grupo Editorial Record, por meio do selo Rosa dos Tempos, sob edição de Lívia Vianna. Nesta nova fase, Lugar de Fala será relançado em edição ampliada, com lançamento previsto para março de 2026, reafirmando sua centralidade no debate público brasileiro e a vitalidade editorial da obra quase uma década após sua publicação original.
Também estão previstas pela Editora Record a reedição da maior parte dos títulos da coleção, além da publicação de novas obras inéditas, entre elas: Direitos Sexuais e Reprodutivos (Marjorie Chaves), Saúde Mental (Ana Luísa Coelho) e Transmasculinidades (Gabriel Romão).
As transformações promovidas pelo trabalho editorial de Djamila Ribeiro e pela Coleção Feminismos Plurais já são objeto de reflexão acadêmica e histórica. As centenas de milhares de exemplares vendidos não representam apenas sucesso comercial: indicam uma mudança estrutural na cultura literária brasileira, especialmente no que diz respeito à circulação de ideias produzidas por autoras e autores negros.
Segundo levantamento da pesquisadora Regina Dalcastagnè (Universidade de Brasília), entre 1964 e 2014 apenas cerca de 10% dos livros publicados pelas grandes editoras brasileiras eram escritos por pessoas negras. O surgimento e a consolidação da Coleção Feminismos Plurais inserem-se diretamente no movimento de ruptura com esse cenário, contribuindo para ampliar a presença de autoras e autores negros no mercado editorial nacional.
No plano internacional, o trabalho editorial de Djamila – como autora e coordenadora – atravessou o Atlântico e estabeleceu raízes sólidas no contexto europeu. A partir de parcerias com editoras na França, Itália e Espanha com Djamila, que, por sua vez, financia a ida de autoras aos países para realização de turnês literárias, obras da coleção vêm sendo traduzidas e publicadas em diferentes idiomas.
Foram publicados em francês, pela Éditions Anacaona, traduções de Joice Berth, Adilson Moreira, Rodney William, Alessandra Devulsky, Letícia Nascimento, Deise Fatumma e Lívia Sant’Anna Vaz); em espanhol foi publicada tradução de Encarceramento em Massa (Juliana Borges); e, na Itália, pela Capovolte Edizioni, com traduções de Interseccionalidade (Carla Akotirene) e Discurso de Ódio nas Redes Sociais (Luiz Valério Trindade), obra que contou com adaptação específica para o debate italiano.
Como parte da parceria editorial com Paula Anacaona, entre 2019 e o início de 2026, a Coleção Feminismos Plurais financiou turnês de lançamento de autoras e autores da coleção na França e na Bélgica, com custeio de passagem, hospedagem e circulação. Em algumas ocasiões, o trabalho contou também com parcerias institucionais e de marca, como Accor e Air France, ampliando a presença internacional de autores e autoras negras do Brasil.

Trabalho editorial (selo e projetos editoriais)
Em parceria com a Editora Jandaíra, dirigida pela publisher Lizandra Magon, Djamila Ribeiro coordena o Selo Sueli Carneiro, iniciativa editorial dedicada à publicação de obras fundamentais do pensamento negro brasileiro. Como editora do selo, publicou Sueli Carneiro: escritos de uma vida, da própria Sueli Carneiro. O lançamento, realizado no SESC Pompeia, reuniu familiares da autora, pesquisadoras, pesquisadores e figuras emblemáticas do movimento negro brasileiro.
O segundo título do selo foi Ó Paí, Prezada: racismo e sexismo tomando bonde nas penitenciárias femininas, de Carla Akotirene, resultado de sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal da Bahia. Em novembro de 2020, o selo publicou sua terceira obra, Mulheres Quilombolas, organizada por Selma Dealdina, reunindo textos de dezoito mulheres de diferentes comunidades quilombolas do país, com apoio da CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas). Trata-se da primeira obra da história do país escrita somente por mulheres quilombolas.
Em setembro de 2021, o Selo Sueli Carneiro lançou sua primeira tradução: Black Power, do ativista nascido em Trinidad e Tobago e radicado nos Estados Unidos Kwame Ture (Stokely Carmichael). A edição brasileira conta com prefácio de seu filho, Bokar Ture, e recupera uma obra central do movimento pelos direitos civis no século XX, responsável por consolidar o conceito de “racismo institucional”.
Ainda em 2021, por meio de edital público com apoio do empresário Maurício Rocha, foi publicado Uma nova história, feita de histórias: personalidades negras invisibilizadas da História do Brasil, reunindo 16 textos de pesquisadoras e pesquisadores negros de diferentes regiões do país, dedicados a resgatar trajetórias apagadas da história nacional.
Em 2022, o selo lançou Educação quilombola: territorialidades, saberes e as lutas por direitos, reunindo textos produzidos a partir da I Jornada Nacional Virtual de Educação Quilombola, realizada em parceria entre a Universidade de Brasília e a CONAQ.
Em outubro de 2022, publicou-se A resistência negra ao projeto de exclusão racial – Brasil 200 anos (1822–2022), organizado por Hélio Santos. A obra reúne 18 textos de figuras históricas do movimento negro brasileiro, como Kabengele Munanga, Sueli Carneiro, Cida Bento e Ana Maria Gonçalves, refletindo sobre o bicentenário da Independência do Brasil a partir de uma perspectiva negra. Djamila Ribeiro contribuiu com o ensaio A urgente democratização das mídias: uma abordagem gaspariana.
Em 2023, a iniciativa editorial coordenada por Djamila publicou a tradução de Águas de Estuário, da escritora colombiana Vélia Vidal, obra em forma epistolar sobre a vida no Chocó, região majoritariamente negra da Colômbia. Djamila e Vélia se conheceram no Hay Festival Cartagena (2021), e a edição brasileira marcou o início de um projeto editorial voltado à tradução e publicação de mulheres do Sul Global.
Como destacou Florencia Ferrari, diretora da Editora Ubu, em entrevista ao jornal O Globo: “Quando a Djamila cita Audre Lorde ou outros autores negros incríveis, seja de ficção, seja de não ficção, de poesia ou de teatro, as editoras vão atrás.”
Em junho de 2024, Djamila Ribeiro foi anunciada como coordenadora do Selo Feminismos do Sul Global, a ser publicado pelo Grupo Editorial Record, no selo Rosa dos Tempos. A coleção anunciou como primeiro título Feminismo Dalit, obra de pesquisadoras indianas que elaboram crítica feminista a partir da experiência das mulheres dalit no sistema de castas, ampliando o horizonte transnacional do projeto editorial.

Crédito: Ricardo Barcellos
Trabalho no exterior (trajetória acadêmica e institucional)
Na graduação, Djamila apresentou trabalhos em congressos da Simone de Beauvoir Society, dedicada ao pensamento da filósofa francesa, tendo palestrado em duas conferências nos Estados Unidos: no Oregon em 2011, e em Saint Louis, em 2014, como mestranda, em 2014.
A partir da publicação de suas obras no Brasil, realizou conferências em dezenas de universidades ao redor do mundo, como Berkeley, Duke, Columbia, Harvard e Yale nos Estados Unidos; King’s College, London School of Economics e Oxford no Reino Unido; universidades francesas de, Lyon 3, Toulouse, Rennes 2 e universidades na Europa, como Aarhus, Oslo e Amsterdam, entre outras.
Em 2018, foi selecionada para a “Cadeira Angela Davis para professores convidados” na Universidade de Goethe (Alemanha), onde passou uma semana em encontros com professores da universidade e ministrando aula para discentes da instituição. Em 2019, foi pesquisadora no Maxcy College, a convite da University of South Carolina, e em 2021 pesquisadora convidada da Universidade de Mainz (Alemanha). Também registra presença em feiras do livro como Frankfurt, Berlim, Edimburgo, Nairóbi, Bogotá, Bruxelas e Arequipa, entre outras. Djamila também realizou falas em espaços como Unesco, Banco Mundial e parlamentos de países estrangeiros.
Em 2023, foi keynote speaker na Assembleia Geral da ONU, no Dia Internacional em Memória da Abolição da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas, com a palestra “Lutar contra o legado escravista do racismo por meio de educação transformadora”. No mesmo ano, ao participar da programação dos Jardins de Verão da Gulbenkian, bateu o recorde de público. Salas extras foram abertas e pessoas tiveram de assistir sentadas no jardim.
Quanto a agendas oficiais, em outubro de 2017 passou uma semana a convite do governo da Noruega conhecendo e dialogando com políticas públicas norueguesas. Em 2018, a convite do órgão de turismo da África do Sul, esteve por uma semana no país para conhecer a rota de Nelson Mandela e, no mesmo ano, foi premiada no Most Influential People of Africa Descent (MIPAD), da ONU. Em março de 2019, foi escolhida para o programa “Personalidade do Amanhã”, do governo francês, que seleciona uma pessoa por país para uma semana de agendas oficiais.
Em 2019, foi apontada pela BBC como uma das 100 mulheres mais influentes do mundo e, no fim do ano, foi laureada pelo Prince Claus Award, entregue pelo Reino dos Países Baixos, em reconhecimento ao trabalho de democratização da leitura e à atuação como intelectual pública.
Em 2020, participou de residência literária no Literarisches Colloquium Berlin (LCB), ocasião em que produziu artigo sob orientação de Natasha Kelly para obra publicada em diversos idiomas. Em 2021, realizou fala no Bundestag, a convite de Claudia Roth, então vice-presidenta do Parlamento alemão. Em 2023, encontrou-se em São Paulo com a então ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock; e, no início do mesmo ano, em Brasília, foi condecorada com o Prêmio Franco-Alemão de Direitos Humanos, em cerimônia com as presenças do ministro de Estado alemão Tobias Lindner e do ministro delegado francês Olivier Betch.
Participou como convidada principal do Verbier Art Summit (Suíça), em 2020. Em 2021, foi convidada da programação da Gwangju Biennale (Coreia do Sul), assinando, inclusive, um artigo para o catálogo da exposição, como também foi a escritora homenageada da Feira de Lima (Peru). No mesmo ano, tornou-se a primeira pessoa brasileira a receber o BET Awards, concedida pela comunidade negra estadunidense, na categoria Global Good, pelo impacto social de seu trabalho.
Registra capas e entrevistas em veículos internacionais como no português O Expresso, o alemão taz, os italianos L’Espresso, Il Manifesto e Corriere della Sera, o holandês NRC e o francês La Liberation, o inglês The Guardian e o estadunidense The New York Times, além de agências como Reuters e AFP. Participou de programas e entrevistas na RTP, RTP África, CGTN, BBC, France24h, TV5 Monde e Al Jazeera. Durante o segundo semestre de 2021, assinou uma coluna mensal na revista alemã Der Spiegel e publicou artigos de opinião em jornais como El Pais Argentina e Il Manifesto.
No final de 2023, esteve em Washington como homenageada do baile de gala da iniciativa Inter-American Dialogue, realizado na Organização dos Estados Americanos (OEA).

Publicações no exterior (por país)
França
A França foi o primeiro país a traduzir e publicar a obra de Djamila Ribeiro, por meio da Éditions Anacaona, editora fundada e dirigida por Paula Anacaona. Djamila e Anacaona estabeleceram parceria de trabalho sólida e inovadora. Em turnês e idas ao país e a Bruxelas (Bélgica) para eventos de lançamento, mais de 15 mil exemplares foram vendidos.
Em 2025, Djamila realizou a mesa de abertura do Festival de Saint-Malo, o maior festival literário da França, para um público superior a 1.200 pessoas. Ao longo dos anos, esteve também em Lyon, Toulouse, Montpellier, Lille, Rennes e Marselha.
Foram publicados: La place de la parole noire (Lugar de Fala), Chroniques sur le féminisme noir (Quem Tem Medo do Feminismo Negro?), Petit manuel antiraciste et féministe (Pequeno Manual Antirracista) e Ta magie m’a menée jusqu’ici – Lettres à ma grand-mère (Cartas para Minha Avó). Djamila também publicou artigo sobre maternidade e candomblé na obra Gagner le monde (Éditions La Fabrique), que reúne textos de feministas de diferentes países.
Djamila realizou três turnês pela França, participando de debates, lançamentos e encontros acadêmicos, ao lado de intelectuais como Françoise Vergès, Maboula Soumahoro, Mame-Fatou Niang e Aurélie Knüfer, além de Nadia Yala Kisukidi, com quem publicou Dialogue transatlantique: perspectives de la pensée féministe noire et des diasporas africaines, disponível exclusivamente na França.
Estados Unidos
Os primeiros escritos em inglês de Djamila Ribeiro começaram a aparecer em 2016, quando Djamila publicou o texto “Black feminism for a new civilizatory framework”, no site da Conectas Direitos Humanos.
Por muito tempo, nos eventos que fazia no país, Djamila autografada esse e outros textos traduzidos ao inglês, na própria folha sulfite.
Muitos anos se passaram assim até que em 2024, graças a uma matéria do The New York Times que divulgou Djamila como uma das principais agentes da revolução literária ocorrida no Brasil, os direitos da obra de Lugar de Fala foram adquiridos pela Yale University Press, que reeditou o livro, incluindo revisão, uma adaptação de Lugar de Fala para o público anglófono, uma introdução inédita em que Djamila dialoga diretamente com leitoras e leitores dos Estados Unidos e o prefácio assinado por Chimamanda Ngozi Adichie.
No tópico dedicado ao período de Djamila como professora convidada da NYU, há mais informações sobre a turnê de lançamento de Where We Stand no segundo semestre de 2024, iniciada com debate promovido por departamentos da Universidade de Yale, marcando a inserção da obra no circuito acadêmico e intelectual norte-americano.
Em 2025, Djamila foi a primeira brasileira convidada a lecionar no MIT, como professora do programa que homenageia Dr. Martin Luther King Jr., onde está atualmente, tornando-se a primeira brasileira da história a ocupar a posição.
Em 2026, o livro “Gagner le monde” foi traduzido ao inglês pela editora Pluto Press e publicado sob o título Feminism for the World.
Portugal
Em 2024, a Editorial Caminho publicou a primeira tradução de uma obra de Djamila Ribeiro para o português europeu, marco editorial conduzido por Zeferino Coelho. Um ano antes, Djamila esteve em Portugal para a Feira do Livro de Coimbra e para os Jardins de Verão Gulbenkian, onde sua participação bateu recordes históricos de público, como já mencionado.
Em 2024, já com Cartas para Minha Avó publicado no país, Djamila lotou novamente a Feira do Livro de Lisboa. Em 2025, a Editorial Caminho anunciou a publicação, em primeira mão, de Travessias, reunindo artigos publicados na coluna da autora na Folha de S.Paulo, com introdução inédita para a edição portuguesa.
Itália
Na Itália, as obras de Djamila Ribeiro são publicadas pela Capovolte, sob coordenação editorial de Ilaria Leccardi, desde 2020. Foram lançados Il luogo della parola (Lugar de Fala), Piccolo manuale antirazzista e femminista (Pequeno Manual Antirracista) e Lettere a mia nonna (Cartas para Minha Avó).
Djamila realizou duas turnês de lançamento no país, passando por Milão, Bolonha, Napoli e Florença. Em Roma, a Biblioteca Municipal não suportou o tanto de frequentadores e metade do público ficou assistindo de fora, olhando pelas janelas. Djamila participou, ainda, de eventos literários como o Festival Internacional do Livro de Turim, e esteve em debates em universidades sobre seus livros, entre outros encontros públicos, acompanhada por intelectuais e mediadores como Igiaba Scego, Johanne Affricot, Alessia Di Eugenio e Nicola Biasio.
México
Em 2023, a Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), em parceria com o selo Tumbalacasa, publicou a tradução de Lugar de Fala para o espanhol sob o título Lugar de Enunciación, ampliando a circulação da obra no contexto acadêmico latino-americano.
Djamila esteve no país em três oportunidades. Na primeira, aproveitando sua presença na Cidade do México como convidada de conferência da Unesco, lançou a edição em espanhol de Quem Tem Medo do Feminismo Negro?, publicada pela editora chilena Libros de la Mujer Rota, com mediação da feminista Junko Ogata. Foi um evento de organização independente, que contou com a parceria do Prince Claus Fund e da iniciativa “What Design can Do?”. Na segunda vez no país a trabalho, retornou a convite da UNAM como convidada principal do XXX Coloquio Internacional de Estudios de Género, com mediação de Aleida Violeta Vázquez. Na terceira, participou como convidada da Feira Internacional do Livro de Guadalajara.
Argentina
Em 2024, Djamila realizou eventos em Buenos Aires por ocasião da publicação, em espanhol, de Pequeño Manual Antirracista e Cartas para mi abuela, lançados pelo selo Mandacaru em parceria com a Tinta Limón, sob edição de Lucía Tennina. Durante a turnê, foi convidada para lançamento exclusivo no MALBA (Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires) e foi também a principal convidada da Feria de Editores (FED).
Em 2025, a partir do contato da editora, foi convidada a participar da Feira Internacional do Livro de Guadalajara, consolidando presença no circuito editorial e intelectual latino-americano.
África do Sul
Em 2025, Djamila foi convidada para ministrar aula pública na University of the Witwatersrand (Wits University), em Joanesburgo, com apoio da Embaixada do Brasil em Pretória.
A partir de levantamento realizado junto a editoras, instituições culturais e representações diplomáticas, é possível afirmar que, no campo do mercado editorial, trata-se do primeiro lançamento de livros realizado por uma escritora brasileira no país, marcando momento histórico na circulação da produção intelectual brasileira no contexto sul-africano.
Alemanha
Em 2026, está prevista a publicação da tradução de Pequeno Manual Antirracista pela editora W_orten & Meer. Entre 2020 e 2024, Lugar de Fala foi publicado pela Editions Assemblage, com prefácio inédito de Grada Kilomba. Ao longo dos anos, Djamila esteve diversas vezes no país, inclusive em duas oportunidades na Feira do Livro de Frankfurt.
Colômbia
Em 2021, Djamila Ribeiro foi autora convidada do Hay Festival Cartagena, oportunidade em que dividiu um painel com Wole Soyinka, autor prêmio Nobel de Literatura. Em 2023, Djamila foi autora convidada da FILBO, a Feira do Livro de Bogotá. Em ambas oportunidades, os lançamentos foram lotados e Djamila foi entrevistada pelos principais jornais e emissoras de televisão do país, como, por exemplo, o jornal “El Tiempo”, que deu a manchete “Djamila Ribeiro: una mujer incómoda”.
Espanha
Em 2018, Djamila publicou revista da Universidad Autónoma de Madrid seu primeiro artigo acadêmico sobre Lugar de Fala. Desde 2024, publicou, pelo editorial Txalaparta, o livro Fue tu magia la que me trajo hasta aquí, tradução do Cartas para minha avó. Entre 2018 e 2022 foi publicada a obra Lugar de Enunciación, a primeira tradução ao espanhol de Lugar de Fala, pela extinta Ediciones Ambulantes.
Índia
Em 2020, Djamila adquiriu os direitos de publicação da obra “Feminismo Dalit”, organizada por Sunaina Ayra e Aakash Singh Rathore. A obra reúne uma série de artigos de feministas que partem da perspectiva Dalit para formular o mundo. O livro contou com tradução de uma equipe de acadêmicos da Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo e será a primeira obra do país a reunir textos feministas dalits. A tradução do livro inaugura, ainda, a coleção “Feminismos do Sul Global”, que Djamila coordena na editora Record a partir de 2026.
Quênia
Em 2023, Djamila foi convidada principal da edição do Festival Macondo. Em 2024, participou da Feira do Livro de Nairóbi.
Peru
Em 2020, durante a pandemia, Djamila foi a autora homenageada pela Feira do Livro de Lima, junto com à poeta Nélida Piñon. Em 2024, Djamila retornou ao país como convidada do Hay Festival Arequipa.
Reino Unido
Além do Where We Stand também ser publicado pela Yale Press UK, é importante destacar a trajetória literária de Djamila no Reino Unido que começou em 2018, quando foi uma das 51 autoras de 25 países diferentes convidadas pela Feira do Livro de Edimburgo para publicar no livro The Freedom Papers, para o qual escreveu o artigo “Freedom is a Collective Conscience Project”. Importante destacar que sua Djamila foi a primeira pessoa brasileira da história a participar desse Festival.
Já em 2019, Djamila Ribeiro publicou o artigo “Considerações sobre a Amefricanidade”, categoria política e cultural desenvolvida por Lélia González, em uma coletânea de textos publicada no livro Women Writers’s Handbook, editado pela Aurora Metro Books, em 2020. Djamila também participa de uma entrevista para livro Hairvolution, da mesma editora, em 2022.
Em 2025, Djamila foi a primeira brasileira da história a proferir a tradicional aula tayloriana da Universidade de Oxford, o que foi considerado, pela revista Oxford Polyglot, da instituição, como o evento de destaque do ano.

Crédito: Ricardo Barcellos
Espaço Feminismos Plurais
Em abril de 2022, Djamila Ribeiro fundou o Espaço Feminismos Plurais, dedicado à orixá Iansã e voltado ao atendimento holístico de mulheres. O Espaço oferece gratuitamente atendimentos psicológicos, terapêuticos e odontológicos, além de iniciativas voltadas à profissionalização de negócios liderados por mulheres, aconselhamento jurídico, eventos culturais, entre diversas outras atividades.
Entre essas ações, destaca-se a parceria com a casa de acolhimento Rosângela Rigo, o primeiro equipamento público de acolhimento de mulheres vítimas de violência da cidade de São Paulo, coordenado por Rosilene Pimentel. O trabalho oferecido pelo Espaço consiste em tratamento psicológico para as mulheres voltada ao suporte a mulheres vítimas de violência doméstica e às trabalhadoras da instituição, no âmbito do projeto Cuidando de quem cuida.
O imóvel abriga a Biblioteca Toni Morrison, com mais de mil livros disponíveis para consulta e computadores com wi-fi gratuito para pesquisas.
Em 2024, Djamila Ribeiro e Rosilene Pimentel, diretora da Casa Rosângela Rigo, lançaram a cartilha “Será que é amor? Cartilha de enfrentamento à violência contra as mulheres”, publicação gratuita de orientação sobre o que caracteriza a violência contra a mulher, seus diferentes tipos e caminhos para buscar apoio e proteção.
Diversas campanhas de distribuição das cartilhas foram realizadas, com disponibilidade em centros de saúde e de acolhimento à mulher em São Paulo. Parcerias com o Tribunal Regional da Trabalho da 15ª Região, com distribuição da cartilha para magistrados, servidores, e distribuição para varas judiciais e com o Senac, a fim de distribuição na rede de educação difundiram-na entre diversos públicos e contextos.
Ao longo dessa diversidade de trabalho, nos seus primeiros três anos de funcionamento, milhares de mulheres já foram atendidas pelo Espaço Feminismos Plurais e incontáveis pessoas participaram dos eventos e lançamentos realizados no local. Em 2023, o Espaço recebeu a visita da ministra francesa de Relações Exteriores, Sra. Catherine Colonna, além de chefes de missão diplomática França e da Alemanha em São Paulo.
O Espaço consolidou-se também como polo de lançamentos literários e debates autorais. Além de receber autoras da Coleção Feminismos Plurais, acolheu escritoras independentes publicadas por diferentes editoras no âmbito do projeto Movimento Autoral. O projeto organiza noites de debate e sessões de autógrafos com produção cultural completa, incluindo recepção, fotógrafo, material gráfico e venda de exemplares.
Em 2025, o Movimento Autoral contou com apoio do Consulado Geral da França em São Paulo para criação de clube do livro e debates sobre obras de autoras francesas. Em novembro, o Espaço recebeu Nadia Yala Kisukidi para o lançamento do livro A Dissociação.
Em 2023, foi publicado o edital do Fundo Johnnie Walker, voltado ao apoio e à profissionalização de iniciativas empreendedoras lideradas por mulheres negras. Entre 2024 e 2025, o Espaço estabeleceu parceria com o Grande Prêmio de Fórmula 1 e a Escola do Mecânico para formar mulheres em cursos de mecânica, funilaria e operação de empilhadeiras. As duas edições reuniram centenas de participantes, que celebraram a conclusão da formação durante o GP de Interlagos.

Crédito: Ricardo BarcellosPlataforma Feminismos Plurais
Em 2020, Djamila Ribeiro lançou a Plataforma Online de Cursos Feminismos Plurais, voltada à comunicação audiovisual e ao estudo do feminismo negro, entre outras abordagens dos estudos raciais e feministas. No dia seguinte ao lançamento, recebeu convite do ator Paulo Gustavo para ocupar sua página no Instagram por um mês – ação inédita no Brasil e, em termos de alcance e duração, como também inédita no cenário internacional. A ocupação inspirou inúmeras iniciativas semelhantes e deu origem ao movimento de fomento a projetos populares conhecido pela hashtag #JuntospelaTransformação.
Ao todo, mais de 80 projetos foram apoiados por meio de formação e da distribuição de assinaturas voltadas ao fortalecimento do engajamento comunitário. Com apoio da apresentadora Fernanda Gentil, cinco mil assinaturas foram distribuídas a organizações não governamentais. A Plataforma foi inaugurada com professores de universidades de diferentes regiões do país e, diante de sua ampla produção de artigos, grupos de estudo e aulas ao vivo, passou a ser reconhecida como o maior streaming de estudos raciais e feministas do Brasil.
Com mensalidade de R$ 19,90, a Plataforma foi descontinuada em 2022 por insuficiência de recursos para manutenção de sua estrutura e custos operacionais. Seus impactos, contudo, perduraram ao longo do tempo. Entre 2021 e 2022, ofereceu orientação a projetos de mestrado e doutorado voltados ao ingresso em universidades brasileiras. Outra iniciativa de destaque foi o Festival Lugar de Fala, realizado durante a pandemia, reunindo músicos, artistas e intelectuais em programação dedicada à cultura e ao debate sobre emancipação racial e de gênero no país.
Em 2026, Djamila Ribeiro retoma a oferta de cursos online com a primeira edição do Curso Online sobre Lugar de Fala, oferecido de forma remota e mediante inscrição, marcando uma nova etapa na formação digital vinculada ao projeto Feminismos Plurais.

Crédito: Ricardo Barcellos
Imprensa e premiações no Brasil
Na mídia nacional, Djamila mantém presença contínua nos principais veículos impressos e audiovisuais do país, com destaque para sua atuação como colunista do caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo, onde escreve semanalmente às sextas-feiras desde junho de 2019, com ilustrações de Aline Bispo.
Registra colaborações e participações em veículos como O Globo, O Estado de S.Paulo e Valor Econômico. Integrou, por um ano, a bancada de consultores do programa Amor & Sexo (Rede Globo) e foi entrevistada no centro do Roda Viva (TV Cultura), além de atuar por duas vezes como entrevistadora. Em 2021, participou por um mês como convidada do programa Saia Justa (GNT).
Estampou capas de revistas como Forbes Brasil, Marie Claire Brasil, ELLE Brasil, Revista ELA, Cláudia, GQ Brasil e Donna, além de editoriais de moda em Harper’s Bazaar Brasil, Glamour Brasil e Vogue Brasil, incluindo participação na Semana de Moda de Milão a convite da Prada. Esteve em cadernos de política de revistas como Época, IstoÉ e Exame. Foi colunista da CartaCapital e comentarista do jornal da TV Cultura. Apresentou uma temporada do programa Entrevista (Canal Futura), quando entrevistou a então vereadora Marielle Franco.
Recebeu, entre outras distinções, o Prêmio Cidadã SP (Direitos Humanos), o Prêmio Dandara dos Palmares, o Trip Transformadores, a Medalha Brás Cubas (Santos), o Troféu Mulher Imprensa, o Troféu Raça Negra da Faculdade Zumbi dos Palmares e homenagens das Assembleias Legislativas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em 2020, recebeu o Prêmio Jabuti pelo Pequeno Manual Antirracista, na categoria Ciências Humanas.

Crédito: Ricardo Barcellos
Trabalhos corporativos
Desde 2017, Djamila é presença de destaque em congressos empresariais e em associações de classe. O reconhecimento público de seu trabalho, credibilidade e didática foi rapidamente percebido por marcas interessadas em aprimorar suas políticas e equipes de diversidade.
Em 2020, a pedido do Comitê Olímpico Brasileiro, idealizou o curso “Esporte antirracista: todo mundo sai ganhando”, direcionado à delegação olímpica brasileira dos Jogos de Tóquio. O curso foi mandatório para atletas, comissões técnicas e dirigentes de confederações. A iniciativa recebeu apoio da Unesco e foi exportada para delegações olímpicas de outros países.
Djamila coordena consultorias em empresas de grande porte, envolvendo produtos e estratégias institucionais e, em parceria com escritórios de advocacia, integra equipes de ESG para avaliação do campo de diversidade em organizações. Em 2021, passou a compor o board internacional de diversidade da L’Oréal, em Paris, cargo que ocupou até 2023.
Em 2022, a convite do YouTube, produziu, com apoio da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o curso “Jornalismo Contra-Hegemônico: reflexões para um novo presente”, baseado em disciplina que lecionou na PUC-SP e na PUC-RS. Em apenas um mês, o curso somou mais de 3 mil horas de reprodução e foi adotado em programas de graduação em Comunicação.
Ao longo de sua trajetória, realizou campanhas e ações publicitárias pontuais para marcas. No fim de 2018, atuou em consultoria e campanha para a Avon. Em 2019, a convite da The Body Shop, viajou a Tamale (Gana) para conhecer comunidades produtoras de manteiga de karitê. Em 2021, lançou linha exclusiva de batom na marca Quem disse Berenice?. Parte do cachê foi revertida para a organização Mulheres da Luz, que trabalha com mulheres em situação de prostituição em São Paulo e para o Coletivo Neusa Santos, que trabalha pela permanência de estudantes negros na pós-graduação da PUC.
Entre 2020 e 2025, atuou como embaixadora da Johnnie Walker no Brasil, participando da concepção, formulação e protagonismo de campanhas institucionais e publicitárias. No âmbito da parceria, em 2025, a empresa apoiou o Pina Ball, baile de gala da Pinacoteca de São Paulo, presidido por Djamila, ocasião em que foi realizada campanha institucional de grande repercussão. No mesmo período, Djamila protagonizou e formulou roteiros de campanhas, dentre as quais “As mulheres negras seguem marchando”, com participação das escritoras Carla Akotirene e Kiusam de Oliveira, realizada com aval da família de Lélia González.
Em 2023, foi cocriadora e protagonista da campanha nacional do novo Chevrolet Tracker, voltada a incentivar mulheres a obterem carteira de motorista. Mais de 300 mil mulheres se cadastraram na campanha, em todo país.
Entre 2023 e 2025, desenvolveu ações para o Rio Open, incluindo criação, gravação e narração de vídeos institucionais, além de palestras para a organização do evento.

Crédito: Ricardo Barcellos
Participações voluntárias em Conselhos e ações sociais
Em 2024, Djamila Ribeiro passou a integrar, de forma voluntária, uma série de conselhos. Em junho, foi eleita para ocupar cadeira no Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura. Em julho, passou a compor o Conselho de Administração da Pinacoteca do Estado de São Paulo e, em agosto, foi anunciada como integrante do Conselho do Fundo Patrimonial da Universidade de São Paulo (USP).
Em 2025, assumiu a presidência do Comitê do Baile de 120 anos da Pinacoteca de São Paulo, evento de celebração institucional e mobilização cultural do museu. No mesmo ano, assinou o posfácio do livro comemorativo dos 120 anos da Pinacoteca, com reflexão sobre memória, patrimônio, democracia cultural e desafios de ampliar acesso às artes no Brasil. Desde 2025, atua também como patrona-mantenedora da Pinacoteca. A presidência do comitê ocorreu a partir de convite de Jochen Volz, diretor geral e artístico da instituição, Marília Gessa (diretora de captação) e Cláudio Sonder (presidente do Conselho).
No campo social, suas doações de livros já ultrapassaram dezenas de milhares de exemplares, distribuídos em bibliotecas, escolas públicas, clubes de leitura, cursinhos populares e unidades prisionais, além de remessas de maior escala. A cada lançamento, Djamila costuma distribuir ao menos 100 exemplares, além de promover outras ações solidárias. Em 2019, doou 500 livros para comunidades e bibliotecas dos nove estados da Amazônia Legal, em parceria com a Fundação Tide Setúbal. No mesmo ano, 1.000 livros foram doados a assentamentos do Movimento Sem Terra.
Em 2021, durante participação no programa Hora do Faro, Djamila anunciou a doação de 1.000 livros para Majori Silva, jovem que construiu com as próprias mãos a Biblioteca Lugar de Fala, em homenagem à autora, em comunidade periférica de Campinas (SP). Os livros foram distribuídos entre toda a rede de cursinhos preparatórios para ingresso na universidade, voltados a estudantes de família de baixa renda. Durante a crise do coronavírus, em parceria com a empresa Lola Cosmetics, coordenou articulações que resultaram na doação de 10 mil frascos de álcool em gel a comunidades quilombolas da Região dos Lagos (RJ).
Como ativista, há muitos anos atua como formadora em cursinhos preparatórios voltados à juventude negra. Em 2016, foi secretária-adjunta de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, na gestão de Fernando Haddad. Posteriormente, realizou formações para a Escola Feminista de Heliópolis e participou de cursos de capacitação de promotores de justiça, juízes e outros agentes do sistema de justiça brasileiro. Em 2025, visitou uma unidade socioeducativa em Vitória (ES), onde adolescentes privadas de liberdade liam sua obra em grupo de leitura.
Atualmente, atua como formadora do grupo Promotoras Legais Populares (PLPs), iniciativa de formação de lideranças femininas nas periferias do estado de São Paulo, e realiza palestras e eventos em comunidades periféricas em diferentes regiões do país.
Em 2021, encabeçou ação judicial contra o Twitter, fundamentada em pesquisas que indicam mulheres negras como principais alvos de discurso de ódio, denunciando exploração econômica do racismo e da misoginia na plataforma. No mesmo ano, a convite do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), liderou campanha nacional de combate à desinformação sobre o processo eleitoral e o funcionamento das urnas eletrônicas brasileiras, sem receber remuneração.

Cultura, música e carnaval
A presença pública de Djamila Ribeiro também se consolida no campo cultural, em diálogo com a música popular brasileira e com o carnaval – espaços centrais de elaboração simbólica, memória e imaginação política no Brasil. Em 2023, Djamila foi destaque da Estação Primeira de Mangueira no Carnaval. Em 2024, foi homenageada pela Escola de Samba União Imperial, de Santos, sua cidade natal. Ao longo dos anos, também foi convidada em desfiles da Vai-Vai, Beija-Flor de Nilópolis e Portela.
No campo musical, Djamila mantém interlocução com artistas fundamentais da cultura brasileira. Esteve com Milton Nascimento em diversas oportunidades e assinou o texto de apresentação de sua última turnê. Também esteve com Djavan e escreveu a apresentação do álbum Dja. Djamila assina ainda texto para álbum de Elza Soares, como contribuiu para o documentário sobre a vida e obra de Alaíde Costa.
Sua obra já inspirou composições de artistas como Margareth Menezes (em época anterior ao cargo de ministra) e Chico César, entre outros, evidenciando o alcance transversal de seu trabalho para além do campo editorial e acadêmico.

Djamila Ribeiro em Nova York (2024) — New York University
Em agosto de 2024, Djamila Ribeiro residiu em Nova York, onde lecionou por um semestre na New York University, como professora convidada da Andrés Bello Chair, cátedra voltada à reflexão crítica sobre democracia, produção de conhecimento e pensamento do Sul Global. A disciplina foi oferecida a estudantes de mestrado e doutorado e articulou ensino, pesquisa e programação pública.
Ao longo do semestre, organizou quatro encontros abertos ao público, reunindo cinco convidados cujas trajetórias dialogam diretamente com seu campo intelectual e político: Ibram X. Kendi, Alessandra Devulsky, Selma Dealdina, Linda Alcoff e Nadia Yala Kisukidi.
Paralelamente à docência, realizou turnê de lançamento de Where We Stand – edição em língua inglesa de Lugar de Fala publicada pela Yale University Press, em várias cidades dos Estados Unidos. Djamila esteve acompanhada por Nicole Gullane e Liz Dórea, diretora e fotógrafa do documentário que vem registrando, desde 2024, momentos de sua trajetória.
Iniciou a turnê na Yale University e passou por Rutgers University, University of Georgia, Spelman College, UCLA, San Diego State University e Harvard University. Nesse período, participou do Brooklyn Book Festival em painel ao lado de Saidiya Hartman, Edwidge Danticat e Dionne Brand, e também da Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México.
Em Washington, o evento de lançamento ocorreu na prestigiada livraria Politics and Prose, com abertura feita pela embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Sra. Maria Viotti. Todos os exemplares enviados pela editora foram vendidos. Em Nova York, participou de noite de lançamento no Consulado-Geral do Brasil, reunindo público brasileiro residente na cidade.
Seu livro repercutiu em jornais como Los Angeles Times e Boston Globe e a obra foi disponibilizada na livraria da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, onde Djamila fez um lançamento de livro para diplomatas. No fim de sua residência na cidade, publicou um artigo acadêmico para a Women’s Studies Quarterly sobre maternidade a partir de um olhar para as Yabás, orixás femininas.

Turnê 2025
Em junho, embarcou para a Europa, iniciando turnê no País de Gales, no Hay Festival (Hay-on-Wye). Em seguida, seguiu para Oxford, tornando-se a primeira pessoa brasileira da história a proferir a Taylor Lecture na Universidade de Oxford. Em Londres, o auditório de cento e cinquenta ficou lotado em noite de lançamento promovida pelo departamento da universidade.
Da Inglaterra, partiu para a França, onde realizou a conferência de abertura do Festival de Saint-Malo, em edição dedicada à memória de Marielle Franco. Na sequência, esteve em Paris para lançamento com casa cheia, antes de seguir para Joanesburgo.
Na África do Sul, integrou comitiva de patronos da Pinacoteca de São Paulo em visitas institucionais a museus e centros culturais em Joanesburgo e Cidade do Cabo. Ainda nesse contexto, ministrou aula pública na University of the Witwatersrand (Wits University), conforme já abordado, e ministrou uma aula virtual para alunos da New York University de Abu Dhabi.
A turnê internacional encerrou em Lisboa, onde Djamila fez um evento de lançamento na livraria Travessa, do Chiado, com fila de pessoas que se estendeu à calçada.
Djamila Ribeiro no MIT (2025-26)
Djamila foi convidada a participar do programa Dr. Martin Luther King Jr. para professores convidados do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Sua candidatura foi endossada por três departamentos distintos da universidade, feito incomum nesse tipo de processo e aprovada com unanimidade.
Em agosto de 2025, Djamila passou a residir em Cambridge, onde está atualmente dedicando-se à docência na instituição.
Paralelamente, em setembro de 2025, nas primeiras semanas em Cambridge, Djamila recebeu a notícia de que o Service95 Book Club, iniciativa literária da cantora Dua Lipa, recomendou o livro Where We Stand, apontando Djamila como a responsável por popularizar o feminismo negro no Brasil.
Agora, em 2026, Djamila se prepara para lecionar a disciplina Feminisms of the Global South no MIT a partir de fevereiro. Em 08 de março é keynote speaker confirmada na Conferência Women Unite, promovida pela Prefeitura de Amsterdam. Após apresentação no painel “Women in War”, Djamila participa de debate com a escritora nigeriana OluTimehin Kukoyi e a advogada ucraniana Oleksandra Matviichuck, Prêmio Nobel da Paz (2022).
Publicação original do memorial: 28 de fevereiro de 2023
Última atualização: 22 de janeiro de 2026
Produção Djamila Ribeiro
