Dois livros de Djamila Ribeiro estão entre os melhores brasileiros de não ficção do século 21

Redação

27 de abril de 2026

Lugar de Fala e Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro, foram selecionados para a lista dos 25 melhores livros brasileiros de não ficção do século XXI por um júri convidado pela Folha de S.Paulo. Com a presença das duas obras no ranking, a filósofa se torna a única mulher a emplacar dois títulos na seleção.

A escolha reconhece a força de dois livros que atravessaram o debate público brasileiro por caminhos distintos. Lugar de Fala, primeiro livro de Djamila e título inaugural da Coleção Feminismos Plurais, foi publicado originalmente pela editora Jandaíra e passou a integrar recentemente o catálogo da Record, com pré-venda de uma nova edição já disponível. A obra, que se consolidou como bibliografia em cursos universitários e leitura obrigatória em vestibulares de instituições públicas e privadas, foi traduzida para cinco idiomas, ampliando a presença internacional da autora.

Pequeno Manual Antirracista, publicado pela Companhia das Letras, alcançou circulação ainda mais ampla. O livro, presente em debates de educação de base, foi o mais vendido no Brasil em 2020, venceu o Prêmio Jabuti e se tornou uma das principais referências contemporâneas para o letramento racial. A obra já foi traduzida para quatro idiomas e, em breve, ganhará uma edição em polonês.

Em publicação nas redes sociais, Djamila celebrou a presença na lista, ressaltando que o reconhecimento institucional se soma a uma consagração anterior feita pelo público. “Sou grata pelo reconhecimento, que já havia sido dado pelo povo, uma vez que ambos os livros são extremamente populares”, escreveu. A autora também agradeceu a Lizandra Magon, da Jandaíra; Lívia Vianna, da Record; e Ricardo Teperman, da Companhia das Letras, profissionais que acompanharam a trajetória editorial das obras.

A presença de Lugar de Fala na lista reforça a centralidade de uma discussão que a obra ajudou a tornar pública no Brasil: quem é autorizado a produzir conhecimento, quais vozes são interrompidas e de que modo raça, gênero e classe atravessam o direito à escuta. No livro, Djamila sintetiza que todos têm lugar de fala, pois falam a partir de uma localização social, embora essas posições produzam experiências e responsabilidades distintas; formulação que desloca o debate da experiência individual para a localização social dos sujeitos.

Reconhecimento intelectual

No Instagram, Djamila divulgou as impressões da antropóloga e pesquisadora Debora Diniz sobre Lugar de Fala. Na palavras de Debora, a obra é “uma intervenção original na forma de pensar o poder, as relações raciais e o letramento antirracista, ao articular testemunho, produção de conhecimento e legitimidade discursiva”. A avaliação dialoga com o núcleo do livro: romper com a ideia de uma neutralidade universal, geralmente sustentada por vozes historicamente autorizadas, para abrir espaço a perspectivas negras, feministas e decoloniais.

Em Pequeno Manual Antirracista, o reconhecimento recai sobre um livro que transformou conceitos em ação cotidiana. A obra parte da compreensão de que o racismo no Brasil precisa ser analisado como estrutura social, não como desvio individual. Nessa direção, Djamila escreve que reconhecer o racismo é a melhor forma de combatê-lo, porque “não podemos combater o que não tem nome”.

O neuurocientista e escritor Sidarta Ribeiro, em comentário sobre o livro, afirmou que Pequeno Manual Antirracista é “um marco histórico de um povo que se ergue”. A frase resume o alcance de uma obra que circula entre escolas, clubes de leitura, empresas, universidades e famílias em geral, convertendo o debate sobre o racismo em responsabilidade pública.

A seleção da Folha confirma, portanto, que a produção intelectual de mulheres negras ocupa hoje um lugar incontornável na interpretação do Brasil. Em comum, Lugar de Fala e Pequeno Manual Antirracista deslocam perguntas centrais do país: quem pode falar, quem foi silenciado, quem se beneficia das desigualdades e quais práticas são necessárias para transformá-las.

Confira a lista completa da premiação: Conheça os melhores livros brasileiros de não ficção do século 21, segundo júri convidado pela Folha

 

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