Djamila Ribeiro completa quatro anos na Academia Paulista de Letras
Eleita em 2022 para a cadeira 28, filósofa sucedeu Lygia Fagundes Telles e tornou-se a segunda mulher negra a integrar a instituição
Djamila Ribeiro completa, neste mês de setembro, quatro anos como integrante da Academia Paulista de Letras. Empossada em 1º de setembro de 2022 na cadeira 28, a filósofa brasileira tornou-se a segunda mulher negra a integrar a instituição, depois de Ruth Guimarães, e a acadêmica mais jovem da instituição.
Essa circunstância deu um significado particular ao tema escolhido para seu discurso de posse: o tempo. Djamila relembrou que entrou na universidade aos 28 anos, graduou-se aos 32, concluiu o mestrado aos 35 e publicou o primeiro livro aos 37. A trajetória, que em outros momentos havia sido interpretada como tardia, contrastava com sua chegada à Academia.
“O tempo é Senhor e a serenidade é conquista”, afirmou ao encerrar a fala.
A cerimônia também traduziu referências que fazem parte de sua identidade. Djamila entrou ao som do aguerê, em homenagem a Oxóssi, acompanhada por atabaques e por integrantes de sua comunidade de terreiro. Para a ocasião, escolheu um vestido inspirado em um modelo usado por Whitney Houston no Billboard Music Awards de 1991.
“Foi uma linda cerimônia de posse, levei meu Axé, honrei Oxóssi, entrei ao som do Aguerê, fui vestida homenageando minha diva Whitney Houston, cheguei sendo quem sou”. escreveu em post comemorativo à data.
A referência à cantora norte-americana também apareceu no discurso. Djamila contou que, durante a graduação, chegou a esconder parte de seu gosto pela cultura pop diante das expectativas sobre aquilo que deveria ser considerado erudito.
A posse representou a possibilidade de ingressar em uma instituição literária tradicional sem separar as diferentes inspirações que compõem sua formação.
A memória de mulheres que ocuparam a Academia antes dela também atravessou a cerimônia. Djamila homenageou Ruth Guimarães e dedicou parte do discurso a Lygia Fagundes Telles, sua antecessora na cadeira 28.
As duas referências situaram sua chegada dentro da própria história da Academia, marcada tanto pela continuidade de uma cadeira literária quanto pela ampliação da presença de mulheres negras naquele espaço.
A posse ganhou ainda um registro de Ignácio de Loyola Brandão. No texto A grandeza de Djamila, publicado após a cerimônia, o escritor recuperou sua convivência com Ruth Guimarães e afirmou que aquele era um momento em que “as academias se curvam diante da realidade”.
Quatro anos depois, Djamila permanece à frente da cadeira 28 e retomou, ao recordar a data, o tema que orientou seu discurso de posse.
“Sigo dialogando com o tempo, essa espiral contínua, bonita, tentando compreender os seus mistérios”, postou.
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