Djamila Ribeiro celebra avanço na restauração da Casa Rio Branco Paranhos, que abrigará residências artísticas
Projetada por Vilanova Artigas em 1943, a Casa Rio Branco Paranhos passa por obras de recuperação e será transformada na Casa Paranhos Ribeiro, com espaço para receber jovens artistas e arquitetos
Djamila Ribeiro celebrou, em suas redes sociais, o avanço das obras de restauração da Casa Rio Branco Paranhos, residência projetada pelo arquiteto Vilanova Artigas em 1943, no bairro do Pacaembu, em São Paulo. Adquirido pela escritora em 2021, o imóvel ganhará uma nova dimensão com a criação da Casa Paranhos Ribeiro, que vai receber jovens artistas e arquitetos em residências artísticas.
“Embora seja uma casa tombada desde 2015, um patrimônio histórico tanto por ser de autoria de Artigas, como pela sua própria história, o estado da casa, à época, era de quase abandono”, postou a filósofa.
A casa é considerada representativa da produção residencial de Artigas no início de sua trajetória, e registra um período de intensa experimentação do arquiteto brasileiro.
“Comprei com o compromisso de preservar a história da casa e de também fazê-la meu lar. Decidi morar na casa já em 2021 e, nesse ano, tivemos a oportunidade de devolvê-la à vida com a tão esperada reforma”, afirmou Djamila.
O trabalho de restauração reúne duas gerações diretamente ligadas à história de Vilanova Artigas. Os responsáveis pelo projeto são seu neto Marco Artigas, Vera Domschke, ex-aluna de Artigas, e Carol Sacconi, filha de Vera.
“O neto e a aluna vão contar a história, preservando o passado e projetando o futuro”, ressaltou Djamila.
O projeto de restauro partiu de levantamentos fotográficos e topográficos e da pesquisa de documentos históricos. Os desenhos originais da Casa Rio Branco Paranhos preservados no acervo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo foram digitalizados para orientar as intervenções.
A proposta prevê retirar construções que, acrescentadas ao imóvel ao longo das décadas, prejudicaram a leitura do projeto original.
Entre as intervenções planejadas estão a recuperação do telhado, da pérgola da sala de estar, dos caixilhos e das aberturas, além da reconstituição da escadaria de acesso.
Novas estruturas necessárias ao uso contemporâneo deverão permanecer integradas à topografia para que a casa de 1943 continue como elemento central do conjunto.
As mudanças, no entanto, não terminam com a recuperação física do imóvel. Djamila abrirá a futura Casa Paranhos Ribeiro para residências artísticas, criando oportunidades para que jovens artistas e arquitetos possam conviver com uma obra de um dos principais nomes da arquitetura moderna brasileira.
A iniciativa aproxima preservação patrimonial, formação e circulação de conhecimento.
Djamila afirmou que outros apoiadores da obra serão anunciados em breve.
“A Casa Rio Branco Paranhos se prepara para se tornar a Casa Paranhos Ribeiro. A história seguirá sendo contada”, finalizou a filósofa.
Uma casa atravessada pela arquitetura e pela política
Construída no Pacaembu, a Casa Rio Branco Paranhos pertence aos primeiros anos da produção autoral de Vilanova Artigas. O processo de tombamento estadual destaca a residência como exemplo da fase compreendida entre 1938 e 1944, ressaltando a influência do arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright na solução criada para um terreno íngreme, com volumes articulados, balanços e integração com a paisagem.
A influência de Wright aparece também na continuidade entre os ambientes internos, na relação entre a construção e o terreno e na exploração das possibilidades dos materiais. Estudos sobre Artigas apontam a Casa Rio Branco Paranhos como uma das obras mais significativas desse período de sua carreira.
A residência também registra a dimensão experimental do trabalho do arquiteto. Em depoimento recuperado no memorial do restauro, Artigas recordou que calculou pessoalmente a estrutura de um dos terraços e estudou soluções que permitissem construir grandes balanços associados aos tradicionais telhados de madeira. O episódio revela um jovem arquiteto que investigava simultaneamente estrutura, materiais e espaço.
A história da casa, porém, não se limita à arquitetura. Artigas a projetou para Rio Branco Paranhos, advogado trabalhista e seu camarada de Partido Comunista. Paranhos chegou a se eleger deputado federal, mas foi impedido de assumir pelo regime militar de 1964. Décadas mais tarde, em 2015, a residência que leva seu nome passou a ser reconhecida também como patrimônio, com tombamento estadual pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico.
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