“Racismo Recreativo”, de Adilson Moreira, já está em pré-venda pela Rosa dos Tempos
Este é o segundo título da Coleção Feminismos Plurais, coordenada por Djamila Ribeiro, a ser lançado pelo Grupo Record
Djamila Ribeiro dá continuidade à nova fase da Coleção Feminismos Plurais com a chegada à Rosa dos Tempos de uma edição revista e ampliada do livro Racismo recreativo, do premiado Adilson Moreira.
Já em pré-venda, o livro tem lançamento previsto para 21 de setembro. Publicada originalmente em 2019, a obra investiga como o suposto humor pode funcionar como instrumento de reprodução de estereótipos e hierarquias raciais.
A publicação integra a mudança editorial iniciada este ano, quando a Coleção Feminismos Plurais passou a ser publicada pelo Grupo Editorial Record, por meio da Rosa dos Tempos. Djamila Ribeiro inaugurou essa etapa em junho com a nova edição de Lugar de Fala.
Criada em 2017, a coleção reúne obras dedicadas a temas como racismo, feminismo, encarceramento e apropriação cultural, com a proposta de ampliar a circulação de produções intelectuais de autores e autoras negras em linguagem acessível.
Racismo não tem graça
Em Racismo recreativo, o jurista Adilson Moreira analisa a relação entre discriminação e manifestações apresentadas como entretenimento, piada ou brincadeira. A abordagem parte do Direito antidiscriminatório para examinar crimes de racismo e injúria racial, além do tratamento dado pela Justiça a produções culturais e programas humorísticos que reproduzem estereótipos sobre pessoas negras.
Para o autor, o caráter humorístico não elimina a dimensão política dessas representações, que podem reforçar percepções sobre quais posições determinados grupos devem ocupar na sociedade.
Em entrevista à Carta Capital em 2018, às vésperas do lançamento da primeira edição da obra, Moreira definiu o conceito que orienta sua análise:
“Racismo recreativo designa uma política cultural que utiliza o humor para expressar hostilidade em relação a minorias raciais.”
A análise também alcança as redes sociais e os meios de comunicação. Em texto reproduzido na apresentação da nova edição, o Mestre em Direito Brenno Tardelli sintetiza o alcance da discussão:
“A obra se propõe a discutir o humor enquanto política de hostilidade a minorias raciais, seja nas redes sociais, seja nos veículos de comunicação, passando pelo posicionamento do Judiciário brasileiro sobre o tema.”
O debate desenvolvido por Adilson Moreira também aparece na produção de Djamila. Em Pequeno Manual Antirracista, a escritora recorre ao conceito de racismo recreativo ao discutir a cultura consumida no país e a permanência de personagens negros construídos a partir de estereótipos.
A reflexão situa programas de televisão, novelas e outras produções culturais dentro de um problema mais amplo: quando determinadas imagens se repetem como fonte de humor, elas também participam da definição social de quem pode ser apresentado como belo, inteligente, respeitável ou digno de ocupar determinados espaços.
- Adilson Moreira e Djamila Ribeiro durante lançamento de Lugar de Fala, no Espaço Feminismos Plurais (junho, 2026)
Da tese à lei
Nos sete anos que separam a primeira edição da atual, o conceito também ganhou espaço no sistema jurídico brasileiro. Em 2023, a Lei 14.532 alterou a Lei do Crime Racial para prever aumento de um terço até a metade das penas quando os crimes ocorrerem em contexto ou com intuito de “descontração, diversão ou recreação”. A ementa da norma menciona expressamente a previsão de pena para o racismo recreativo.
O Conselho Nacional de Justiça, por sua vez, incorporou a discussão ao Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial. O documento dedica uma seção específica ao racismo recreativo, cita o trabalho de Adilson Moreira e orienta magistradas e magistrados a considerar os efeitos de piadas e outras manifestações aparentemente inofensivas na reprodução de estigmas raciais.
O protocolo destaca que essas práticas não devem ser compreendidas apenas como comportamentos individuais, mas dentro das relações de desigualdade presentes na sociedade.
A nova edição chega após outro marco na trajetória de Moreira. Em 2025, o jurista venceu o Prêmio Jabuti na categoria Educação, com Letramento racial: uma proposta de reconstrução da democracia brasileira, publicado pela editora Contracorrente.
Confira a entrevista que Adilson Moreira concedeu a Brenno Tardelli, em 2018, na ocasião do lançamento da primeira edição de Racismo Recreativo: https://www.cartacapital.com.br/justica/adilson-moreira-o-humor-racista-e-um-tipo-de-discurso-de-odio/
Artigos Relacionados
Desde junho, nove cidades já receberam o lançamento da nova edição de Lugar de Fala
Djamila Ribeiro encerra agosto no Espírito Santo com debate sobre educação antirracista e sessão de autógrafos
Djamila Ribeiro leva edição ampliada de “Lugar de Fala” a Belém em noite com sessão de autógrafos concorrida

