“Racismo Recreativo”, de Adilson Moreira, já está em pré-venda pela Rosa dos Tempos

Redação

3 de setembro de 2026

Este é o segundo título da Coleção Feminismos Plurais, coordenada por Djamila Ribeiro, a ser lançado pelo Grupo Record

Djamila Ribeiro dá continuidade à nova fase da Coleção Feminismos Plurais com a chegada à Rosa dos Tempos de uma edição revista e ampliada do livro Racismo recreativo, do premiado Adilson Moreira.

Já em pré-venda, o livro tem lançamento previsto para 21 de setembro. Publicada originalmente em 2019, a obra investiga como o suposto humor pode funcionar como instrumento de reprodução de estereótipos e hierarquias raciais.

A publicação integra a mudança editorial iniciada este ano, quando a Coleção Feminismos Plurais passou a ser publicada pelo Grupo Editorial Record, por meio da Rosa dos Tempos. Djamila Ribeiro inaugurou essa etapa em junho com a nova edição de Lugar de Fala.

Criada em 2017, a coleção reúne obras dedicadas a temas como racismo, feminismo, encarceramento e apropriação cultural, com a proposta de ampliar a circulação de produções intelectuais de autores e autoras negras em linguagem acessível.

Racismo não tem graça

Em Racismo recreativo, o jurista Adilson Moreira analisa a relação entre discriminação e manifestações apresentadas como entretenimento, piada ou brincadeira. A abordagem parte do Direito antidiscriminatório para examinar crimes de racismo e injúria racial, além do tratamento dado pela Justiça a produções culturais e programas humorísticos que reproduzem estereótipos sobre pessoas negras.

Para o autor, o caráter humorístico não elimina a dimensão política dessas representações, que podem reforçar percepções sobre quais posições determinados grupos devem ocupar na sociedade.

Em entrevista à Carta Capital em 2018, às vésperas do lançamento da primeira edição da obra, Moreira definiu o conceito que orienta sua análise:

“Racismo recreativo designa uma política cultural que utiliza o humor para expressar hostilidade em relação a minorias raciais.”

A análise também alcança as redes sociais e os meios de comunicação. Em texto reproduzido na apresentação da nova edição, o Mestre em Direito Brenno Tardelli sintetiza o alcance da discussão:

“A obra se propõe a discutir o humor enquanto política de hostilidade a minorias raciais, seja nas redes sociais, seja nos veículos de comunicação, passando pelo posicionamento do Judiciário brasileiro sobre o tema.”

O debate desenvolvido por Adilson Moreira também aparece na produção de Djamila. Em Pequeno Manual Antirracista, a escritora recorre ao conceito de racismo recreativo ao discutir a cultura consumida no país e a permanência de personagens negros construídos a partir de estereótipos.

A reflexão situa programas de televisão, novelas e outras produções culturais dentro de um problema mais amplo: quando determinadas imagens se repetem como fonte de humor, elas também participam da definição social de quem pode ser apresentado como belo, inteligente, respeitável ou digno de ocupar determinados espaços.

Da tese à lei

Nos sete anos que separam a primeira edição da atual, o conceito também ganhou espaço no sistema jurídico brasileiro. Em 2023, a Lei 14.532 alterou a Lei do Crime Racial para prever aumento de um terço até a metade das penas quando os crimes ocorrerem em contexto ou com intuito de “descontração, diversão ou recreação”. A ementa da norma menciona expressamente a previsão de pena para o racismo recreativo.

O Conselho Nacional de Justiça, por sua vez, incorporou a discussão ao Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial. O documento dedica uma seção específica ao racismo recreativo, cita o trabalho de Adilson Moreira e orienta magistradas e magistrados a considerar os efeitos de piadas e outras manifestações aparentemente inofensivas na reprodução de estigmas raciais.

O protocolo destaca que essas práticas não devem ser compreendidas apenas como comportamentos individuais, mas dentro das relações de desigualdade presentes na sociedade.

A nova edição chega após outro marco na trajetória de Moreira. Em 2025, o jurista venceu o Prêmio Jabuti na categoria Educação, com Letramento racial: uma proposta de reconstrução da democracia brasileira, publicado pela editora Contracorrente.

Confira a entrevista que Adilson Moreira concedeu a Brenno Tardelli, em 2018, na ocasião do lançamento da primeira edição de Racismo Recreativo: https://www.cartacapital.com.br/justica/adilson-moreira-o-humor-racista-e-um-tipo-de-discurso-de-odio/

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