
Caso Master: Djamila Ribeiro cobra justiça após denunciar possíveis crimes sexuais
Desde fevereiro, Djamila Ribeiro cobra que as investigações sobre o caso Banco Master também apurem possíveis crimes de exploração sexual e tráfico de mulheres envolvendo as festas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. No texto a seguir, a filósofa brasileira recupera a trajetória de suas denúncias, desde os primeiros artigos publicados na Folha de S.Paulo até a mobilização de autoridades brasileiras e internacionais, além de reafirmar a necessidade de justiça para as mulheres envolvidas no caso.
“Banco Master e tráfico sexual: nós avisamos
Em 19 de fevereiro de 2026, publiquei na Folha de S.Paulo um texto que mudou minhas atividades. Em “Polícia Federal: e as mulheres?”, fui pioneira na imprensa brasileira ao contestar a linha investigativa da PF e cobrar a apuração de possíveis crimes sexuais, especialmente tráfico humano para exploração sexual, envolvendo as mulheres estrangeiras presentes nas festas de Daniel Vorcaro com autoridades e convidados.
O texto viralizou. Recebi incontáveis mensagens de apoio, mas também deslegitimações, xingamentos e manifestações de fúria. Colocar aquelas mulheres no centro da investigação confrontava o silêncio em torno dos homens poderosos.
Segui em frente. Em 26 de fevereiro, em “Caso Master: entre o escárnio e o silêncio”, questionei a entrada recorrente de mulheres estrangeiras no país e a ausência de reação institucional. Construí, com apoio dos seguidores aqui da página, teses de investigação de crimes sexuais com base nas leis brasileiras e em tratados internacionais vigentes no país.
Em 08 de março, eu levei ao exterior a denúncia pela primeira vez, ao participar da Conferência Women Unite!, a convite da prefeita de Amsterdão. Entreguei um relatório a autoridades holandesas e à Nobel da Paz Oleksandra Matviichuk. A partir daí, pude acessar outros espaços e estabeleci interlocução com a organização La Strada, que atua no enfrentamento ao tráfico de meninas e mulheres ucranianas. Levei, ainda, informações à polícia de Londres.Em abril, durante um jantar com a deputada Tabata Amaral, apresentei a gravidade do caso e a provoquei a ingressar com uma representação na PF. A parlamentar o fez em maio, somando-se à senadora Damares Alves, que havia apresentado pedido semelhante semanas antes.
Somente então, segundo o UOL, a PF decidiu investigar essa dimensão do caso. Na Folha, segui denunciando o caso, em especial o mais absoluto silêncio sobre o tráfico sexual nas negociações sobre a delação premiada do banqueiro, tema que ocupou as capas dos jornais durante meses e ninguém, salvo as feministas, tiveram a coragem de falar.
Desde fevereiro, a pergunta permanece. Agora, com mais vozes: queremos justiça a essas mulheres!”.
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