Djamila Ribeiro

Djamila Ribeiro estreia como docente no MIT no dia de Iemanjá

Redação

3 de fevereiro de 2026

No dia 2 de fevereiro, data em que diferentes tradições de matriz africana celebram Iemanjá, a Djamila Ribeiro deu sua primeira aula como professora convidada do Dr. Martin Luther King Jr. Visiting Professors and Scholars Program do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Em um post publicado nas redes, a filósofa resumiu o momento: “Professor Djamila is in the house!”.

A entrada de Djamila no programa — criado para levar ao campus acadêmicos de destaque e ampliar a diversidade de perspectivas na vida intelectual do instituto — também marca um ponto simbólico: a presença, em uma das universidades mais influentes do mundo, de um curso centrado em produções intelectuais desenvolvidas no Brasil e em feminismos do Sul Global.

Um programa que homenageia Martin Luther King Jr. e aposta em “novas perspectivas”

O programa que recebe Djamila foi estabelecido no início dos anos 1990 e, segundo a própria página do MIT, busca atrair pessoas cujas trajetórias dialoguem com a ideia de “trailblazers” (pioneiros) em liberdade humana, acadêmica e política, em referência ao legado de Martin Luther King Jr..

Na prática, trata-se de uma iniciativa que combina docência, troca acadêmica e formação de redes — e que, a cada ano, recebe um conjunto de visitantes de diferentes áreas.

O que Djamila levou para a sala de aula

No relato publicado, a filósofa brasileira destacou duas ênfases do conteúdo: as produções intelectuais desenvolvidas no Brasil e as formulações feministas do Sul Global, com o objetivo de oferecer aos estudantes do MIT chaves de leitura para debates que frequentemente chegam às universidades do Norte já filtrados por cânones europeus e estadunidenses.

“Uma alegria imensa ensinar sobre as produções intelectuais desenvolvidas no Brasil e também feministas sobre as feministas do Sul Global”, escreveu Djamila, conectando o gesto de ensinar a uma aposta no futuro: “Adoro lecionar e saber que essas produções vão impactar a jornada acadêmica de jovens do MIT.”

Quando uma sala de aula em uma instituição globalmente reconhecida se abre para bibliografias e tradições intelectuais brasileiras, não se trata apenas de “incluir autoras”. Trata-se de disputar o que conta como referência legítima, quais perguntas ganham status de “universais” e quais experiências foram historicamente empurradas para a nota de rodapé. E esse ponto é central!

Como Djamila ressalta, todo mundo fala a partir de algum lugar social, mas nem todas as vozes recebem a mesma escuta, nem todos os discursos são reconhecidos como conhecimento. A docência no MIT, nesse sentido, não é só uma conquista individual. Ela explicita como o debate sobre produção de saber é atravessado por poder, legitimidade e estrutura.

Quando bibliografias negras brasileiras entram em currículos internacionais, fazem mais do que “representar”. Ajudam a nomear estrutura, método e história — e a deslocar o centro da conversa.

A dimensão íntima do marco público

No mesmo post, Djamila registrou a importância da presença da filha: “E que alegria ter Thulane ao meu lado nesse momento!”. A menção lembra que trajetórias acadêmicas e políticas não se constroem apenas em editais e títulos. Elas se sustentam em redes de cuidado, família, território e ancestralidade.

Ao costurar a estreia docente no MLK a um dia de celebração de Iemanjá, Djamila também posiciona o acontecimento para além do protocolo universitário. Ela inscreve a cena em uma gramática de pertencimento, memória e espiritualidade, frequentemente desautorizada quando o conhecimento é reduzido ao que cabe no molde eurocêntrico da academia.

“Axé, Odoya!”, finalizou Djamila.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por Djamila Ribeiro (@djamilaribeiro1)

Artigos Relacionados


25 de janeiro de 2026

A Voz e o Legado: Djamila Ribeiro reflete sobre a ‘luta pela paz’ de Martin Luther King Jr.


23 de janeiro de 2026

Djamila Ribeiro leva o feminismo do Sul global à revista italiana L’Espresso


23 de janeiro de 2026

Thulane aprovada na Universidade de São Paulo