Livro com posfácio de Djamila Ribeiro marca os 120 anos da Pinacoteca de São Paulo

Publicação reúne 250 obras e projeta o museu como espaço plural de arte e memória
A Pinacoteca de São Paulo celebrou seus 120 anos, no último dia 6 de dezembro, com o lançamento do livro “Pinacoteca de São Paulo: 120 anos”, obra publicada pela editora Act Arte. O volume traz uma seleção de cerca de 250 obras do acervo e textos inéditos de autores convidados. Djamila Ribeiro, responsável pelo posfácio, propõe em sua reflexão um futuro para o museu ancorado na diversidade e no reconhecimento da multiplicidade de vozes que compõem a arte brasileira.
A celebração integrou as comemorações do aniversário do museu mais longevo de São Paulo, e incluiu a reinauguração do Jardim das Esculturas, agora com obras de artistas como Nádia Taquary, Celeida Tostes e Jorge dos Anjos.
A publicação assume o desafio de posicionar a Pinacoteca como organismo vivo. O projeto gráfico, assinado por Felipe Chodin, estrutura os conteúdos de A a Z, refletindo as múltiplas camadas que compõem a história, a arquitetura e o papel educativo da instituição. O resultado é um percurso visual e crítico que entrelaça ícones do modernismo, como Antropofagia (1929), de Tarsila do Amaral, com obras contemporâneas de nomes como Dalton Paula e Carmézia Emiliano.
No posfácio, Djamila Ribeiro projeta uma nova ética institucional. Ao afirmar que “a Pinacoteca que imaginamos para os próximos 120 anos é ainda mais aberta, diversa e conectada com os desafios do nosso tempo”, a filósofa brasileira reafirma seu compromisso com práticas culturais antirracistas e com a valorização de territórios historicamente marginalizados.
Além do posfácio de Djamila, o livro conta com ensaios de Clarissa Ximenes, Paula Zasnicoff, Juliana Mendonça do Vale, Gabriela Aidar, Renato Menezes e Yuri Quevedo, que abordam desde práticas educativas até o patrimônio arquitetônico da Pina. “O livro reafirma o compromisso com a memória cultural brasileira e com a produção de novos olhares sobre ela”, destaca Fernando Ticoulat, diretor da Act Arte.
O projeto editorial também se alinha à proposta do novo anexo do museu, a Pina Contemporânea, pensada como espaço de acolhimento e experimentação. A arquiteta Paula Zasnicoff destaca que o futuro da arquitetura museológica deve ser “inclusivo, democrático e generoso com seu entorno” — um princípio que ecoa as reflexões de Djamila sobre a necessidade de democratizar o acesso à cultura e reconhecer a pluralidade como valor central da vida pública.
Mais do que um marco cronológico, a publicação contribui para reposicionar o museu como espaço implicado nas disputas simbólicas do presente — um movimento coerente com as reflexões de Djamila sobre a necessidade de ampliar o acesso, descentralizar a produção de conhecimento e reconhecer a arte como linguagem política.
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