
Na FLUP 2026, Djamila Ribeiro participa da abertura e conduz debate sobre Feminismos Plurais
Filósofa brasileira divide mesa com Ana Maria Gonçalves nesta quarta-feira e, na sexta, conduz encontro com autores da coleção que coordena
Djamila Ribeiro inicia nesta quarta-feira (23) sua participação na FLUP 2026 ao lado de Ana Maria Gonçalves, homenageada da 16ª edição da Festa Literária das Periferias. No Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, as duas participam da mesa “As filhas das filhas das filhas: Uma carta de Kehinde para Dona Antônia”, que aproxima personagens centrais de suas obras. Na sexta-feira (25), a filósofa retorna ao festival para mediar um debate dedicado à Coleção Feminismos Plurais.
A conversa desta quarta começa às 19h, depois da abertura institucional, com mediação da historiadora e pesquisadora Angélica Ferrarez. O título da mesa estabelece um diálogo entre Dona Antônia, avó de Djamila e destinatária de Cartas para minha avó, e Kehinde, protagonista de Um defeito de cor, romance de Ana Maria Gonçalves. A aproximação entre essas duas trajetórias se relaciona diretamente ao eixo conceitual da FLUP 2026.
Com o tema “As Filhas das Filhas das Filhas”, o festival propõe discutir as heranças transmitidas entre gerações, as histórias que resistiram ao apagamento e a participação de mulheres negras na produção de saberes, linguagens, comunidades e futuros. Na apresentação oficial da edição de 2026, a organização menciona Vó Antônia e Kehinde para tratar das transformações vividas por gerações de mulheres negras, também a partir das políticas de ações afirmativas implementadas neste século.
Em Cartas para minha avó, Djamila parte da relação com Antônia para reconstruir episódios da infância, da adolescência e da vida adulta. Benzedeira e conhecedora de ervas curativas, a avó ocupa um lugar central nas memórias familiares narradas pela escritora.
A escolha de Ana Maria Gonçalves como interlocutora amplia esse diálogo. Autora homenageada da FLUP 2026, ela tornou-se, em 2025, a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras. Um defeito de cor, seu principal romance, atravessa a identidade visual e a programação desta edição do festival. A FLUP destaca a “carta de Kehinde” como elemento de abertura do evento.
Feminismos Plurais
Na sexta-feira, como coordenadora da Coleção Feminismos Plurais, Djamila conduz, das 20h às 21h30, a mesa “Coleção Feminismos Plurais, uma kizomba do pensamento: poder, amor e fé”, no Salão Guarani. Participam Adilson Moreira, autor de Racismo recreativo; Carla Akotirene, autora de Interseccionalidade; e Sidnei Nogueira, autor de Intolerância religiosa.
A conversa ocorre no momento em que a Feminismos Plurais entra em nova fase editorial. Este ano, a coleção passou a ser publicada pela Rosa dos Tempos, selo do Grupo Editorial Record, com a reedição de títulos do catálogo e a previsão de novas obras. Lugar de Fala, livro de Djamila que inaugurou o projeto em 2017, ganhou em junho uma edição ampliada de 476 páginas.
A FLUP 2026 segue até domingo (27), com atividades no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes e em outros espaços do Centro do Rio de Janeiro. A programação é gratuita.
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