
Nova edição de ‘Lugar de fala’ entra na Lista Nielsen-PublishNews de Mais Vendidos
Djamila Ribeiro alcançou um novo marco editorial com Lugar de fala. A nova edição do livro, publicada pela Rosa dos Tempos, selo do Grupo Editorial Record, entrou na Lista Nielsen-PublishNews de Mais Vendidos, ranking semanal que acompanha a venda de livros físicos no varejo brasileiro a partir de dados do BookScan, da NielsenIQ BookData. Divulgada em 22 de junho, a lista contabilizou as vendas entre os dias 8 e 14 de junho de 2026. Na categoria Não Ficção Especialista, a obra aparece em 17º lugar, com 541 exemplares vendidos no período. A lista reúne dados de livrarias, e-commerces e supermercados participantes, com informações coletadas diretamente no varejo.
A presença no ranking confirma a força de uma obra que segue em circulação nas livrarias e no debate público. Essa atualidade apareceu de forma concreta na quarta-feira, 24, durante entrevista de Djamila ao Estúdio CBN. A apresentadora Tatiana Vasconcellos contou que um motorista de táxi havia reagido ao conceito com a seguinte frase: “Tudo é lugar de fala. Estão usando isso para nos calar.”
A pergunta levou a filósofa brasileira a retomar um dos pontos centrais do livro: lugar de fala não é instrumento de silenciamento, mas uma forma de compreender de onde cada pessoa participa do debate público.
“Eu respondo a muitos equívocos no livro, e um dos equívocos é esse: lugar de fala não é o que se fala. É de onde se fala. Estamos falando de um lugar social”, afirmou Djamila no programa.
Ao responder ao comentário do taxista, Djamila explicou que o conceito não impede pessoas brancas de falar sobre racismo nem homens de discutir desigualdades de gênero. A questão, nas palavras da autora, é reconhecer que essas falas partem de posições sociais diferentes.
“Pessoas brancas podem e devem falar sobre racismo, só que elas vão falar de um outro lugar; de um lugar diferente do lugar de onde uma pessoa negra fala sobre o mesmo tema”, disse. “Assim como homens podem falar da questão das mulheres, com certeza, porque o lugar dos homens impacta no lugar das mulheres.”
Djamila também relacionou o debate à naturalização dos privilégios. Quando homens não compreendem que determinadas vantagens foram construídas historicamente sobre a opressão das mulheres, continuam reproduzindo desigualdades como se elas fossem naturais. O mesmo raciocínio vale para o debate racial, no qual a posição social de quem fala influencia a forma como o tema é percebido.
“Todo mundo pode falar sobre tudo, obviamente. Só que nós, mulheres, falaremos de lugares diferentes. E marcar esse lugar é importante até para a gente entender como as opressões e os privilégios foram construídos”, afirmou Djamila. “Por favor, não tem a ver com calar ninguém. Todo mundo tem lugar de fala. E, a partir do seu lugar, exerça essa postura ética.”
Originalmente lançado em 2017, Lugar de fala foi o primeiro título da Coleção Feminismos Plurais e abriu caminho para a circulação de autoras e autores negros no debate público, acadêmico e editorial. Com a nova versão, a Rosa dos Tempos passa também a editar toda a coleção.
Lugar de Fala tem 476 páginas e lançamento registrado em 12 de junho de 2026. Ampliado e atualizado, o livro revisita o conceito em diálogo com discussões que ganharam força nos últimos anos. A publicação traz quatro novos capítulos, dados atualizados, novas referências intelectuais, além de prefácio de Chimamanda Ngozi Adichie e apresentação de Grada Kilomba.
O lançamento presencial da edição ampliada aconteceu em 9 de junho, no Espaço Feminismos Plurais, em São Paulo. A entrada de Lugar de fala na Lista Nielsen-PublishNews de Mais Vendidos mostra que a obra permanece mobilizando leitores justamente porque enfrenta um ponto sensível da vida pública brasileira: quem fala, de onde fala, quem é ouvido e quem foi historicamente autorizado a produzir conhecimento.
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