Djamila Ribeiro celebra mil ingressos vendidos para estreia da turnê de ‘Lugar de Fala’ no Rio

Redação

30 de julho de 2026

Encontro abre circuito nacional dedicado à edição ampliada do livro, que ganhou quatro novos capítulos, dados atualizados e textos de Chimamanda Ngozi Adichie e Grada Kilomba

Djamila Ribeiro celebrou em post publicado no Instagram a venda de mil ingressos para a abertura da turnê nacional de Lugar de Fala, marcada para o próximo domingo, 2 de agosto, no Teatro Città, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O encontro inaugura um circuito por nove cidades dedicado à edição ampliada da obra, publicada pela Rosa dos Tempos (Grupo Record) quase uma década depois do lançamento original. Mas, para quem quer participar do evento, ainda restam as últimas entradas.

A filósofa brasileira destacou a marca como parte de uma experiência inédita em sua trajetória.

“Pela primeira vez vou para teatros com bilheteria. Confesso que fui com frio na barriga, mas fui!”, escreveu.

Djamila também informou que a sessão de autógrafos começa às 18h. Às 20h, ela sobe ao palco para abrir a turnê, realizada em parceria com o Alma Talks.

A estreia acontece menos de dois meses depois da chegada da nova edição às livrarias. Publicado originalmente em 2017 como o primeiro título da Coleção Feminismos Plurais, o livro foi revisto para incorporar novos dados, referências intelectuais e pesquisas desenvolvidas pela autora durante sua atuação como docente na PUC-SP, na Universidade de Nova York e no Massachusetts Institute of Technology, onde atualmente leciona como professora convidada.

A ampliação da obra também responde à circulação do conceito no debate público. Ao longo dos últimos nove anos, “lugar de fala” passou a aparecer em discussões políticas, programas de televisão, universidades e redes sociais, nem sempre com o sentido desenvolvido no livro.

Djamila explica que o conceito não poder ser usado para proibir pessoas de debater determinados assuntos. A ideia, ao contrário, é examinar como a posição social interfere nas oportunidades de falar, de ser escutado e de ter um conhecimento reconhecido como legítimo.

O ponto central está nas condições sociais compartilhadas pelos grupos e na forma como raça, gênero, classe e sexualidade organizam relações de poder. A multiplicidade de vozes, nesse sentido, rompe com discursos que se apresentam como universais enquanto silenciam outras perspectivas.

A turnê transforma essa discussão em uma sequência de encontros presenciais. Depois do Rio de Janeiro, a agenda segue para Curitiba, em 15 de setembro; Porto Alegre, em 16 de setembro; Florianópolis, em 27 de setembro; Salvador, em 10 de outubro; São Paulo, em 8 de novembro; Ribeirão Preto, em 11 de novembro; Fortaleza, em 26 de novembro; e Recife, em 6 de dezembro.

A marca de mil ingressos na abertura mostra a dimensão pública alcançada por uma obra concebida para tornar acessíveis debates produzidos por grupos historicamente marginalizados.

Nos teatros, a nova etapa de Lugar de Fala desloca a experiência individual de leitura do livro para uma experiência coletiva de escuta — justamente uma das questões que atravessam suas páginas desde 2017.

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