
Djamila Ribeiro celebra reeleição de Lula e destaca importância da mobilização social
Filósofa valoriza militância cotidiana e alerta que vitória nas urnas não encerra luta contra o racismo e o autoritarismo
Djamila Ribeiro celebrou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em post publicado no Instagram, no início da semana, mas destacou que a mobilização social precisa continuar após as eleições.
Lula (PT) venceu o segundo turno, realizado em 25 de outubro, com 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 48,21%.
“Diante da força demonstrada por um projeto autoritário no primeiro turno, a vitória de virada do presidente Lula trouxe felicidade, alívio e a possibilidade de seguirmos em diálogo com o poder público”, escreveu.
Ao comentar a vitória, Djamila lembrou diferentes gerações de ativistas: pessoas que se mobilizam desde a primeira eleição de Lula, em 2002; aquelas que participaram das lutas políticas durante os governos de Dilma Rousseff; e jovens que começaram a atuar politicamente durante a pandemia.
“Um trabalho muitas vezes sem visibilidade ou reconhecimento, mas que sustenta a esperança nos momentos mais difíceis”, destacou.
A autora também chamou a atenção para os desafios que permanecem depois das eleições. Para ela, a vitória não deve interromper a participação política nem enfraquecer as iniciativas construídas pela sociedade civil.
“Como transformar a mobilização em um compromisso duradouro? Como fortalecer os vínculos e as iniciativas que mantêm viva a luta por uma sociedade menos desigual?”, questionou.
Os fantasmas do passado colonial
A reflexão retoma o tema da coluna Os fantasmas que o Brasil se recusa a enterrar, publicada por Djamila na Folha de S.Paulo, em 22 de outubro, três dias antes do segundo turno.
No artigo, a escritora recorre à metáfora do fantasma, desenvolvida por Grada Kilomba em Memórias da Plantação, para explicar como o passado colonial continua presente na sociedade brasileira.
Djamila lembra que a escravidão foi abolida sem reparação à população escravizada. Da mesma forma, o fim da ditadura militar não foi acompanhado da responsabilização adequada de seus agentes. Essas questões ajudam a compreender por que o racismo, a misoginia e o autoritarismo continuam presentes nas instituições e nas relações sociais.
Na coluna, a filósofa argumenta que derrotar uma candidatura autoritária não significa eliminar as condições que permitem o avanço do autoritarismo. Para enfrentar essas estruturas, são necessárias políticas públicas de combate às desigualdades, educação, memória histórica e reparação.
Na publicação sobre a reeleição de Lula, a escritora relaciona essa tarefa à valorização das organizações sociais e das pessoas que mantêm a mobilização política mesmo fora dos períodos eleitorais.
“Realizar os ritos fúnebres que o Brasil tanto adia passa também por cuidar dessas construções coletivas e dar condições para que floresçam”, pontuou, completando: “Que a alegria deste momento nos dê fôlego para seguir.”
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