Em encontro no Rio, Djamila Ribeiro presenteia Kimberlé Crenshaw com edição em inglês de ‘Lugar de Fala’

Redação

1 de outubro de 2026

Durante a Flup, filósofa brasileira entregou a edição em inglês de “Lugar de Fala” à jurista que cunhou o termo interseccionalidade

Djamila Ribeiro encontrou a jurista norte-americana Kimberlé Crenshaw, autora do conceito de interseccionalidade, para um almoço no Rio de Janeiro, no último dia 25 de setembro, durante a Festa Literária das Periferias (Flup).

No encontro, a filósofa brasileira entregou a Crenshaw um exemplar de Where We Stand, edição em inglês de Lugar de Fala, e foi presenteada com um autógrafo em seu exemplar de Backtalker: An American Memoir, autobiografia da jurista que Djamila já adquirido nos Estados Unidos, onde leciona no MIT como professora convidada.

“O trabalho de Crenshaw me acompanha há décadas e foi muito especial ter esse momento mais íntimo com ela, pegar meu autógrafo na sua autobiografia “BackTalker: an american memoir“, que comprei quando estava no meu período no MIT”, escreveu Djamila no Instagram.

Backtalker, lançado em maio de 2026 pela Simon & Schuster, acompanha a trajetória da autora desde a infância em Canton, Ohio, nos anos 1960, até a carreira acadêmica, passando pelo trabalho com a equipe jurídica de Anita Hill e pelo projeto #SayHerName, que chamou atenção para mulheres negras mortas pela violência policial. Crenshaw é professora de Direito na UCLA (University of California, Los Angeles) e na Columbia, e é uma das fundadoras da teoria racial crítica (critical race theory).

O conceito de interseccionalidade percorre a produção intelectual de Djamila. Em Quem Tem Medo do Feminismo Negro?, ela situa a criação do conceito por Crenshaw, em 1989, numa tradição que remete a pensadoras como Angela Davis, que já tratava as opressões estruturais como indissociáveis.

Em Lugar de Fala, Djamila usa a ideia para refutar a hierarquia de opressões, explicando que raça, classe e gênero não podem ser pensados de forma isolada.

Em post no Instagram, a filósofa brasileira descreveu Crenshaw como “alto astral” e “divertida”, ressaltando a felicidade pelo encontro:

“É muito bom poder encontrar nossas referências. Kimberly é tão alto astral, divertida e conhecê-la pessoalmente só amentou a admiração que nutro há tanto tempo”, celebrou.

Crenshaw integrou a programação da 16ª edição da Flup, que aconteceu de 23 a 27 de setembro no centro do Rio de Janeiro. O tema, “As Filhas das Filhas das Filhas”, levou para debate as heranças transmitidas entre gerações e a produção de saberes por mulheres negras.

A homenageada foi Ana Maria Gonçalves, a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras. Djamila abriu sua participação na quarta-feira, 23, no Teatro Carlos Gomes, ao lado da homenageada, na mesa “As filhas das filhas das filhas: Uma carta de Kehinde para Dona Antônia”, com mediação da historiadora Angélica Ferrarez.

A conversa aproximou a avó de Djamila, Dona Antônia – homenageada em seu livro Cartas para minha avó – da personagem Kehinde, protagonista de Um defeito de cor, romance de Ana Maria Gonçalves.

Na sexta-feira, 25, Djamila mediou, no Salão Guarani, o debate “Coleção Feminismos Plurais, uma kizomba do pensamento: poder, amor e fé”, com Adilson Moreira, Carla Akotirene e Sidnei Nogueira, autores de Racismo recreativo, Interseccionalidade e Intolerância religiosa, respectivamente. O encontro ocorreu no momento em que a coleção passa a ser publicada pela Rosa dos Tempos, selo do Grupo Editorial Record.

No sábado, 26, às 16h, Crenshaw conversou com Ana Maria Gonçalves e Jurema Werneck, no Teatro Carlos Gomes.

 

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